Filipinas

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Filipinas 
Abril/Maio de 1988.
Foi ao final da manhã que chegámos a Manila.

Bilhete Filipinas
Bilhete Filipinas

Muito calor.
Sentimos um bafo.

A cidade é árida e torna-se ainda mais desconfortável com o barulho e o fumo dos carros e das motoretas.
Fomos de autocarro até ao centro da cidade. Velho e pouco arejado.

A camioneta que nos transportou a Batangas era um pouco melhor e demorou quase quatro horas.
 Hoje, em 2014, demora cerca de metade do tempo e o bilhete custa 200 pesos. Aqui pode ver sugestão de transporte a partir de Manila.

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Bilhete para Batangas

Um percurso por terras pobres.
Barracas construídas ao longo da estrada, muitas crianças e pedintes e vendedores de tudo, até do que mete pena.
O tráfego tem muitos camiões.
Decorados com luzes e cheios de enfeites.
 À chegada a Batangas o piso era pior.
Muitos buracos e solavancos agravaram o cansaço.

Chegámos de noite a uma terra que parecia mais um descampado às escuras.
O pica bilhetes recomendou um hotel que ficava ao longo de uma estrada enlameada.
Hotel é força de expressão. Uma pensão à beira da estrada e, mesmo assim, a avaliação é fantasiosa.
Sem alternativa, tivemos de pernoitar aqui, apesar da sujidade e do calor insuportável.
O quarto era amplo, mas a roupa da cama e a toalha estavam encardidas.
O jantar correspondeu à qualidade geral e os empregados não fizeram qualquer esforço para melhorar o ambiente.
No meio de um descampado, depois do jantar, a única possibilidade de dar um passeio foi até à porta do hotel.
Muitas filipinas estavam a chegar.
Aprimoradas.
Vinham para um baile que tinha lugar no hotel.
As melgas obrigaram-nos a ir para o quarto.
Não foi fácil adormecer devido ao barulho da música.
No dia seguinte, bem cedo e enquanto seguíamos de táxi para o cais, constatámos que, afinal, havia mais hotéis e aparentemente de melhor qualidade.
Batangas, também conhecida como a cidade portuária de Calabarzon, é grande. Hoje é um porto internacional, alternativo ao de Manila.

Bilhete de barco Batangas - Puerto Galera
Bilhete de barco Batangas – Puerto Galera

Fomos de barco até Puerto Galera.
O preço actual é de 250 a 280 pesos e tem de se pagar ainda uma taxa de 50 pesos.

Era uma embarcação pequena e estava cheia de passageiros e sacos.
Ainda no cais, enquanto se aguardava a partida, o passatempo dos passageiros é uma trupe de miúdos.
Eles nadam nas águas sujas, brincam, sobem para o barco, voltam a saltar para a água e o jogo é apanharem moedas lançadas pelos passageiros dos barcos.
Por vezes o jogo torna-se cínico. Os adultos fingem que mandam moedas ou lançam outro tipo de objectos.
A viagem para Puerto Galera demorou horas…
Os bancos do barco eram de madeira e a embarcação não parava de balouçar.
A entrada em Puerto Galera é um pouco imponente.

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Puerto Galera

Várias ilhas pequenas rodeiam o caminho de acesso ao cais, à ilha de Mindoro. Puerto Galera fica na parte oriental e é um dos locais preferidos para férias de praia e caminhadas nas montanhas
Em algumas ilhas o verde é cortado por uma moradia e em frente, no mar, um ou mais iates.
As praias estão praticamente desertas e são longos areais cercados por palmeiras.
O cais é antigo. De madeira e pequeno. Segue-se uma rampa de terra batida.
O transporte para Puerto Galera é em jipes. Vão a abarrotar de gente.

Jipes de transporte de pessoas
Jipes de transporte de passageiros

Alguns passageiros vão mesmo pendurados e outros no tejadilho.
Neste “tudo ao monte, há longas conversas entre os locais. Em tagalo.
Os sinais ao condutor são dados com batidas de mão na chapa do jipe.
O percurso é sinuoso, numa estrada estreita, em terra batida e a passagem de cada viatura deixa um enorme rasto de poeira.

Puerto Galera é uma povoação pequena, dispersa ao longo da praia.
Todas as ruas são de terra batida.
As casas maiores estão dedicadas ao turismo.
Na parte central há ruas só de restaurantes.
Quando chegámos tivemos várias ofertas de alojamento. Fomos visitar um com pequenas cabanas de madeira, assentes em pequenos pilares.
Havia mais estruturas deste género ao longo da costa. Eram baratos, o problema é que eram muito quentes. Com instalações sanitárias colectivas.
Descontentes com a proposta, fomos caminhar ao longo da praia e, mesmo no final, optámos por ficar num apartamento.

Em frente à praia era o restaurante. Ao lado, uma longa escadaria, até ao cume da encosta.
De cada um dos lados da escadaria, grupos de dois apartamentos com varanda comum.
Os nossos vizinhos eram também um casal. Um militar norte-americano e uma filipina. Dia e noite sonoras gargalhadas, canções.. só boa disposição.

Na praia, junto às escadas, numa árvore estava preso um sagui que passava o tempo a percorrer um arame suspenso no outro lado por um pau.
No dia seguinte fomos até à praia. Uma decepção.

Praia em Puerto Galera
Praia em Puerto Galera

Junto à água não havia areia.
Pedras, algumas delas bem aguçadas. Por vezes era um martírio andar a pé junto à água e nadar também não era seguro porque em alguns locais estavam rochas bem altas.
A água era quente e limpa, o mar calmo.
O único senão eram as pedras, que obrigavam os turistas a um andar desengonçado.

O areal era muito extenso e nas proximidades do nosso alojamento havia três palmeiras. Foi à sombra de uma delas que ficámos no primeiro dia.
Passado algum tempo, uma mulher que vendia t-shirts e calções meteu conversa.
Esteve cerca de uma quarto de hora a descansar, ao nosso lado. Foi o tempo suficiente para apanharmos sol e um escaldão nos ombros. Pomadas e espessas camas de protector não resolveram o incómodo. O escaldão só piorava.
Dois dias depois foi descoberto o motivo. A água do duche era salgada o que agravava a irritação.
A solução foi, depois do banho, deitar uma panela de água doce sobre o corpo.
A água era fornecida pelo restaurante e, como todas as noites ocorriam ruidosas  trovoadas e chuvadas intensas, dava para recolher água da chuva.
Ao fim de alguns dias o escaldão desapareceu. Foi a vez da E. Apareceu uma nódoa negra numa perna após uma picada de insecto e foi aumentando. Tardou a desaparecer.

Um dos passeios frequentes foi a Puerto Galera.
Não era muito fácil devido às marés. Nem sempre era possível atravessar por uma passagem na praia.

As caminhadas foram sempre durante a tarde e o calor não ajudava.

Preço da restauração
Preço da restauração

Uma paragem nos bares servia de refúgio. E refrescava. Ficou na memória um refrescante iogurte de frutas.
Outra recordação foi a imagem repetida de turistas, com alguma idade, acompanhados de jovens filipinas.
Passavam o tempo a comer e a beber nos restaurantes de Puerto Galera.
Os pratos eram bem servidos e os mais saborosos eram de peixe. De salientar também a lista de sumos e, em particular, o de guyabano, feito com limões pequenos e verdes.
Também experimentámos o restaurante do nosso hotel.

O cozinheiro era um jovem ocidental e muito discreto.
O dono era um suíço, já com alguma idade, casado com uma filipina, talvez de vinte anos de idade, de quem já tinha um filho.
A mulher passava o tempo a embalar a criança. A maior parte do serviço era feito por outra jovem, com quem tinha grande familiaridade.
No restaurante havia outra empregada, mais nova, que passava o tempo a fumar. Às escondidas do patrão. Numa das vezes o cigarro passou a ser meu para a safar dos olhos do dono do hotel.
Ainda havia mais dois empregados. Dois rapazes que ajudavam o suíço na manutenção da estalagem e de um barco que era o meio de transporte para ir buscar os alimentos.
O patrão utilizava ainda um barco a motor para fazer longos passeios no mar.

site_filipinas_puerto_galera4Desiludidos com a nossa praia, fomos procurar alternativas. Na outra encosta havia mais uma. Mas, também, cheia de pedras.
Aqui, quem ficou contente foi uma vendedora de roupa que tinha uma cabana. Fez negócio.

Fomos ainda a outra praia. Mas agora de barco.
Uma embarcação estreita e com um apoio de cada lado que ajudava a manter o rumo quando de ondas mais fortes. O barco era a motor mas atingia uma velocidade reduzida.
A viagem demorou cerca de uma hora e nem sempre próximo da costa.
A praia era muito árida, sem palmeiras, sem sombra. Miúdos brincavam na água e depois juntaram-se ao nosso barco.
Nunca se tem tudo. Não havia pedras mas a água era mais fria. Ao longo da praia havia poucas cabanas. Talvez fosse um povoado isolado e pequeno. 
O regresso foi ao anoitecer.

Tivemos de socorrer um casal que seguia num barco cujo motor avariou. Com o início da noite e o mar mais agitado, houve também uma vaga de apreensão mas chegámos bem.

Uma outra viagem inesquecível foi às montanhas.
A organização foi do Rudolfo, aliás, Rudy, para os turistas.
Tivemos a companhia de alemães e familiares do guia. A mulher e dois filhos.
O caminho é sinuoso, em terra batida e tem paisagens espectaculares como por exemplo uma enorme cascata, as Tamarraw Falls.

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Tamaraw Falls

Passámos o dia numa área protegida.
Tivemos de levar à mão os cestos da comida.
É um espaço cheio de árvores com uma piscina natural. Uma fonte brota água para uma bacia dentro de uma rocha.
A área da piscina natural e a profundidade ainda é significativa.
Depois de um banho refrescante, foi o almoço confeccionado pela mulher do Rudolfo.

O picnic estava óptimo. Vários assados elogiados por todos.
Enquanto comíamos, e apesar da nossa insistência, a mulher e a criança foram almoçar para outro lado.
No final da refeição já havia uma maior familiaridade e os miúdos aproveitaram a oportunidade para se vingarem nos refrigerantes.
Neste convívio, Rudolfo contou-nos um pouco da sua vida. Tinha sempre um brilhozinho nos olhos quando falava dos filhos. O mais novo andava a aprender a nadar e passava o dia na praia de Puerto Galera.

Visita às montanhas
Visita às montanhas

A digestão foi com um passeio no meio da floresta.
Uma casa ao lado de um rio estava desocupada.
Devia ser uma fábrica porque ao longo da encosta, até ao rio, viam-se longos tubos.
No alto da montanha estava um depósito de cimento.
Através das pedras e dos arbustos era possível atravessar o rio.
Os miúdos fizeram-nos companhia e encontraram caçadores de borboletas.
Um dos caçadores disse-nos que as borboletas eram vendidas no Japão.

Regresso de jipe e um furo
Regresso de jipe e um furo

Um pouco antes de anoitecer iniciámos a viagem de regresso.
De início, com a luz natural, ainda se podia ver o caminho.
No entanto, um furo atrasou-nos e chegámos a Puerto Galera de noite.

O regresso a Manila já foi num barco grande. Com dezenas de passageiros e estava superlotado.
As cadeiras de madeira eram desconfortáveis e muitas pessoas preferiam sentar-se no chão.
 Para se ir ao bar, no piso inferior, tínhamos de fazer um rally entre as pessoas e, em alguns casos, passar por cima de algumas que estavam deitadas.
 No início da viagem, não sei se por brincadeira, o barco quase que batia noutra embarcação. Vários homens tiveram de esticar os braços e afastar as embarcações.
Na chegada a Batangas, diversos autocarros esperavam os turistas. Os motoristas gritam, acenam… as técnicas de marketing para captar a atenção de potenciais clientes.

Desta vez a viagem de autocarro foi muito mais cómoda e a chegada a Manila foi a meio da tarde.
site_filipinas_hotel_aurelioRecomendaram-nos o hotel Aurélio.
Fica no distrito de Ermita. Uma área comercial, com edifícios governamentais e escritórios de empresas financeiras.
Teve o seu ponto alto com a presença norte-americana nas Filipinas.

Era um hotel antigo, de vários andares.
O quarto era amplo com um televisor, dos antigos.
Num canal, que devia pertencer a uma igreja, vimos uma missa e um sermão ao bom estilo dos pregadores norte-americanos. 
O ambiente era confortável. A excepção foi a frieza do recepcionista.
Passeio pela cidade ao final da tarde.  Muito calor e humidade.

ermitaPercorremos a rua Adriático, fomos à marina e lugares mais turísticos. Foi o caso de um centro de artesanato.
Muitas lojas e barracas, que vendiam artesanato, e restauração. Ao lado, um centro cultural. Aqui, enquanto nos refrescávamos com bebidas frescas, ensaiava uma companhia de danças tradicionais.
Algumas compras, e um saco para as transportar, já no final da volta, apareceu uma miúda a chorar. Pedia um favor. Como os preços eram regateados, o controlo de caixa é mais difícil. Ela terá registado um valor inferior ao da venda. Pedia para comunicarmos à dona da loja o valor que ela referia. Claro, inferior ao que pagámos. Apesar do choro e do lamento de que ia ser despedida, recusámos prestar este favor. Em vez de mentir, talvez devesse pedir desculpas à patroa…
A noite foi nas ruas mais frequentadas da Ermida.
As famosas noites de Manila em Ermita são muito procuradas.
 É considerada uma zona red-light. Muita gente na rua. Restaurantes e bares cheios.
Jantámos num restaurante alemão. De um lado mobiliário de verga. Para o restaurante. Do outro lado, um bar com um ecrã gigante. Pelo meio, um caminho, muito frequentado por filipinas que se iam produzir para a noite.
Na porta ao lado, um porteiro que só deixava entrar algumas pessoas.
Um pouco mais à frente, dezenas de bares. Um deles, de porta entreaberta, deixou entrever um aglomerado de gente e no palco central duas miúdas a dançar. Os corpos brilhavam com um raio de luz azul…

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