Venezuela, sem regresso….

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Caracas

A viagem para a Venezuela teve Havana como ponto de partida. Foi em Agosto de 1990.
O voo da Viasa atrasou.
Os cubanos demoravam em abastecer o avião com comida e partimos com uma hora de atraso, às 15h.

Depois de escala em San Domingo, chegámos a Caracas próximo das 20h.
O aeroporto era enorme.
Nada estava planeado. No turismo sugeriram seguirmos viagem para Mérida.
Era interessante e não havia problema com lotação nos voos nas datas preferidas.


 À saída do aeroporto há numerosos taxistas e donos de alojamentos a cativar clientes.

Enquanto transportavam a bagagem, fizemos o câmbio (1$USD = 49 bolívares) e as reservas das passagens para Mérida.

 Pela espera, a taxista aumentou de 500 para 700 bolívares o preço do transporte.

A viagem até ao hotel Las Antillas demorou imenso tempo.

 Do aeroporto até Caracas são cerca de 20 km e havia muitas filas.
O trânsito habitual, a que se juntava o regresso das praias. 

Carros tipicamente norte-americanos, que devem consumir muito combustível.
Em algumas paredes estavam inscrições contra o aumento de gasolina.
A auto-estrada tem quatro pistas e passa por muitos túneis. Aqui, dava para ver os morros com as milhares de casas improvisadas.

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Caracas

O hotel Las Antillas (não encontro hoje qualquer referência) era um edifício de seis andares e com um pequeno centro comercial ao lado. Um túnel com lojas de um lado e outro. No meio, um vigilante.
 Faltava pouco para as 23h quando conseguimos libertar-nos das malas e ir jantar. Não era possível. Os restaurantes do hotel estavam encerrados.

No exterior tínhamos de percorrer algumas centenas de metros.  O recepcionista do hotel aconselhou cuidado no caminho.
Não havia ninguém na rua. Zonas escuras.
Horas antes tinha lido no jornal, que nos foi dado no avião, que Caracas tinha tido um dos fins de semana mais sangrentos – 78 mortos.
Depois de uma caminhada de alguns minutos, regressámos ao centro comercial ao lado do hotel.
Quando demos os primeiros passos no túnel, o vigilante levantou-se e colocou a caçadeira em posição.
Não precisou de perguntar. Meia volta, de regresso ao hotel, e o jantar foram umas bolachas.

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Centro da cidade

O dia seguinte foi para o centro de Caracas.

Parte do percurso foi de metro. Uma surpresa. Carruagens novas e limpas. Ambiente seguro e informação adequada para estrangeiros.
 Percorremos a pé algumas avenidas na zona da Catedral, da Igreja Nossa Senhora das Mercedes e Teatro S. Bolívar.
Sem grandes problemas.
O único incidente foi com um grupo de miúdos que nos cercou e meteu conversa.
Olhavam muito para as câmaras de filmar e de fotografar.

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Metro de Caracas

Ao final do dia foi mais complexo.
Apanhámos um táxi para nos levar ao hotel.
O taxista era um jovem curtido. O carro era como que uma discoteca. Música alta, colunas enormes, luzes no interior e vendia uma série de produtos.
Andou uma série de tempo às voltas.
Numa encosta, numa zona fora do centro, começou a dizer que estava meio perdido. Anoitecia. Ruas de terra batida, casas pobres e muita gente a andar de um lado para o outro.
O taxista parou. Fez várias perguntas, seguiu viagem e ao fim de uns 20 minutos reconhecemos o local.
Estávamos próximo do hotel. Alivio.

No dia seguinte foi a viagem para Merida.
Fica nos Andes venezuelanos. 
Não são muitas as companhias que fazem este voo.
 No entanto, em Caracas não foi difícil arranjar bilhete. O mais surpreendente é a viagem e a aterragem.

Partimos de Caracas cerca das 17h. Fomos num Boeing 727 da Aeropostal e tivemos turbulência.
A maior parte do percurso foi feito acima das nuvens.
Cerca de 15 minutos antes da aterragem o aparelho começou a perder altitude e durante uma dezena de minutos voamos num vale, entre as montanhas.
Os Andes de um lado e outro

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Aeroporto Alberto Carnevalli

Por vezes, pequenos aglomerados de casas. 

Depois, o avião inicia um voo rasante, vêm-se habitações de um lado e de outro e passados alguns minutos o aparelho toca no solo. Travões a fundo, a pista é pequena e parámos mesmo no final. 
O aeroporto
Alberto Carnevalli está cercado de casas e a pista termina em frente a uma estrada.
Devido a um acidente em 2008, deixou de ter actividade comercial durante cinco anos.

Ficamos alojados no Hotel Mintoy. Um edifício de três andares, bonito.
No exterior a parte do rés do chão é de pedra.
Os dois andares superiores com muita luz das grandes janelas.
Fica na mesma rua da estação do teleférico, uma das maiores atracções da cidade.
 Um local muito sossegado com vista para a montanha. O hotel é acolhedor e o pessoal simpático.

Merida
Mérida

Aproveitámos o resto do dia e fomos dar um passeio pelo centro da cidade.
É tipicamente uma cidade andina.
Alguns monumentos, praças, numa delas havia uma festa, templos religiosos – com destaque para a Catedral – e ruas com pouco movimento automóvel.

 No passeio, conhecemos um jovem que nos ajudou a programar a viagem. 
Foi ele que nos sugeriu uma vista ao Observatório  Astronómico Nacional de Llano del Hato.

A viagem foi de carro, pelos Andes e permitiu descobrir os povos e o meio ambiente que rodeia Mérida.
Foi uma mulher a nossa cicerone.
O observatório fica a 70 km de Mérida e o caminho era demorado.
Estradas estreitas, serpenteiam as montanhas e, tinha de ser, paragens em locais turísticos onde os locais vendem artesanato, bebidas… aos turistas.

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Andean road

Julgo que seguimos o caminho – Mucuchíes – San Rafael – Apartaderos.
Partimos com sol e uma temperatura amena mas, nas parte final, começou a ficar enevoado e frio. 
A flora também varia.
Na parte inicial, a paisagem era de floresta. Mais para cima, próximo de Apartaderos, começava a ser árida e com plantas muito pequenas.

A paisagem era bonita e, na verdade, conseguia-se perceber um pouco o modo de vida destes povos. Parte significativa dos habitantes era de origem indígena.
A base de subsistência era a agricultura e o pastoreio. Muitas casas dispersas pelas montanhas.
Pequenos povoados cortados pela estrada. Casas pobres, improvisadas.

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Restaurante

Outras coloridas com marcas do tempo colonial.

 Subidas íngremes com pequenos espaços para os carros pararem em pontos turísticos.

 Um desses locais foi um restaurante. Grande, com um parque onde estavam alguns autocarros. Foi aqui o almoço.

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Observatório Nacional Llano de Hato

O Observatório Astronómico Nacional de Llano del Hato está a 3.600 metros de altitude.
Ao contrário da viagem ao Peru aqui não tive qualquer dificuldade. Apenas o frio.
Tivemos de fazer uma pequena subida a pé e não foi grande o cansaço.
O observatório fica numa zona ampla. Bem tratada, com pequenos jardins ao longo dos caminhos.

O observatório tem quatro pontos de observação. Num deles, um técnico fez uma breve apresentação e depois permitiu-nos ver através de um enorme telescópio.
É um dos mais relevantes em todo o continente.
Como está próximo da linha do Equador permite observar os dois hemisférios.

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Laguna de Mucubají

O regresso foi pela Laguna Mucubají. A lagoa está no Parque da Serra Nevada, é de origem glacial e deve ter cerca de dez mil anos.
Tocámos na água e estava gélida. 
Na verdade, mesmo no exterior, já estava muito frio.
O céu um pouco enevoado,  vento frio e começava a anoitecer.
A paragem foi breve. 
Chegámos de noite a Mérida.

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