Lima do Pacífico

Lima é uma cidade surpreendente e cheia de contrastes. A história é percetível em muitos espaços, como também, uma forma de vida que peca por condições de sobrevivência muito difíceis.

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Um longo (12h) e aborrecido voo de Madrid para Lima.
A companheira de bordo era uma peruana, natural de Arequipa. Vive em Milão e foi simpática.
O raio das crianças a fazerem barulho e a correrem pelo corredor do avião foi uma desgraça. Ninguém dormiu e todos partilhámos um ar sisudo com os papás.
A viagem do aeroporto para o hotel foi no Green Taxi. 40 a 50 soles que pagam a segurança.
No hotel Ibis, em Lima, as primeiras horas de sono foram outro tormento. Gente a falar no corredor e um casal esteve sonoramente irritado durante a noite.

praia em Miraflores
Praia em Miraflores

O Ibis fica entre Larcomar e o Parque Kennedy, na zona de Miraflores.
Está muito bem situado e a diária de 55 euros compensava.  À porta havia um serviço de táxi que por 45 soles nos transportava para o aeroporto.
O Íbis tem um bom pequeno-almoço. Muita fruta e sumos, deu para recuperar energias.

O ponto de partida para ter uma visão geral da cidade foi um city tour.
Sexta-feira Santa, os museus estavam fechados mas compensou gastar os 90 soles.
O nevoeiro da manhã é que enganou. Ficou imenso calor.
Parece que em Lima chove muito pouco. Os telhados até não têm inclinação. Abundam águas subterrâneas provenientes dos rios. A humidade do nevoeiro e os aquíferos permitem uma vegetação exuberante em várias partes da cidade.

Huaca Pucllana
Huaca Pucllana

Passageiros recolhidos nos hotéis entram no autocarro em Huaca Pucllana, ainda no distrito de Miraflores. De fora é possível ter uma vista geral sobre o que resta da construção em adobe que servia para rituais e centro administrativo.

O ponto alto foi o centro histórico classificado como património mundial pela UNESCO,  em particular a Plaza de Armas ou Plaza Mayor.

Señor de los Milagros
Señor de los Milagros

Muita gente com ramos, vestes roxas e fato domingueiro passeavam pela praça e enchiam a catedral de Lima.
Era dia santo, celebrava-se o Señor de los Milagros com uma procissão que recolhia gente de várias regiões do Peru.

A colonização deixou-os muito devotos. As televisões nacionais ocuparam horas e horas (mesmo no prime time) com as festividades da Semana Santa e no centro de Lima estavam milhares de pessoas. Seguranças na Praça de Armas, apoio médico, vendas de ramos e até pontos de encontro para crianças perdidas.

idosa na Plaza de Armas
Mulher na Plaza de Armas

Miúdos ao colo dos pais, outros com balões e idosos com vestes típicas davam um grande colorido à praça que, já por si, tem uma larga variedade de flores.

A passagem seguinte foi pelo  Convento de S. Francisco, um complexo arquitectónico  que tem a marca de um português.

Convento de S. Francisco,
Convento de S. Francisco,

Constantino de Vasconcelos supervisionou a reconstrução após um terramoto no séc. XVII.
 O largo tinha também muita gente, além de diversões para a criançada.
Um autêntico circo. Fotógrafos registam para a posteridade a foto de família, llamas, balões, pães, bolos, licores, artesãos… uma concentração enorme de pequeno comércio.

Dia de festa
Dia de festa

Alguns locais tinham origem rural e era curiosa a mistura com os turistas. Mas não com as máquinas fotográficas. As peruanas escondem-se das objectivas.

Morro San Cristóbal
Morro San Cristóbal

Pegámos de novo o autocarro numa rua larga que tem no horizonte o Morro San Cristóbal.
Hoje é também lugar de peregrinação. Até à cruz que tem 20 metros de altura e que é um dos símbolos do cristianismo no centro da cidade.

No regresso fiquei no Larcomar. Um centro comercial, muito próximo do hotel Íbis.
Possui tantas esplanadas como restaurantes e lojas de roupa de marcas ocidentais. É um dos pontos de passagem obrigatório em Miraflores.
Tem uma vista magnífica para o Pacífico. Mesmo acima das ravinas. O olhar cobre a praia de água fria e areia rochosa. De um lado, centenas de surfistas são o centro do olhar.

Larcomar
Larcomar

De outro, um enorme rochedo cobre o horizonte onde uma cruz luminosa enche o mar durante a noite. 
Turistas e locais convergem para aqui num ambiente calmo e muito vigiado.
Almocei algumas vezes aqui. Num dia provei o Polvo na Plancha com arroz e batata dourada. Voltei à noite para o pôr do sol. Desta vez a paragem foi numa esplanada  suspensa nas ravinas a saborear um cheesecake.

Vale a pena vaguear por Miraflores. Era uma ilha em Lima. Sob diversos pontos de vista: social, económico, de segurança e arquitetura.
Miraflores fica próximo das escarpas, junto ao mar, e tem vários parques.

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Polícias

O que é mais relevante para turistas: a segurança. Além da videovigilância, sente-se que é uma área segura com polícia em muitos locais. Polícia nacional, de trânsito, turismo e privada junto das lojas, bancos e parques.

Esta zona de Lima era frequentada pelo segmento mais abastado da sociedade peruana. Havia serviços residenciais, escolas privadas e, numa delas, a frequência exigia uma propina de um milhar de dólares.

Miraflores
Miraflores

Miraflores estava cheia de hotéis, restaurantes, lojas de artesanato e de vestuário, telecomunicações e bancos.
Quem gosta de souvenirs, tem muito à escolha. 
Quem não gosta de “lixo” em casa depois da viagem, pode comprar um pacote de mate de coca. Vendem nos supermercados e são muito mais baratos do que nas lojas para turista. Além de mate, também há rebuçados.

As ruas estavam lotadas, muitos turistas, mochileiros e outros. Passeavam por aqui, davam um olhadela nas lojas e seguiam para o Kennedy Park ao final da tarde onde havia uma pequena feira de venda de artesanato.

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Cambistas

As ruas principais têm uma ciclopista, os passeios com flores (por algum motivo se chama Miraflores) e vendedores com pequenas bancas vestem um blusão com uma designação. O mesmo se passa com vários homens e mulheres que estão junto aos bancos. Fazem câmbio e nos blusões azuis até têm escrito o nome de algumas moedas, além da referência ao município de Miraflores.

parque Kennedy
Parque Kennedy

O Parque Kennedy  não é muito grande. Um lugar agradável com pintores, namorados, um pianista, artesãos, a bonita igreja Virgem Milagrosa .. e muitos gatos para adoção.
Durante o dia, o fascínio do Parque são os gatos. Inúmeros.  Juntam-se debaixo das árvores, brincam e não se incomodam com os turistas.
A meio do parque, um outro ponto de encontro dos turistas é o MiraBus.
A lista de Tours pode ser consultada num placard colocado ao lado. Os preços são muito mais baratos do que em outras agências.
Recorri ao serviço deles uma vez, um passeio pela manhã. Pouco antes das 10h já estava no Parque Kennedy, perto do ponto de venda da MiraBus para comprar o bilhete.
Duas senhoras, com alguma idade, apanham do chão um cartão de memória de 32 gb que deixara cair sem dar por isso. Disse-lhes que era meu. Elas acreditaram. Até recomendaram que guardasse o cartão noutro lado porque era fácil perder da carteira. Senhoras simpáticas.
O tour deu para rever algumas das ruas de Miraflores.

Barrancos
Barrancos

É longo o percurso do autocarro. 
Passa por vários distritos. Lembro-me de Barrancos, San isidro,  Chichorrito e da panamericana.
 Curioso – mudar de bairro é como atravessar uma fronteira. Mudanças bruscas. No trânsito, nas casas, nas cores, o verde substituído pelo castanho e cinzento…
Outro percurso interessante é pelo Parque do Amor.
Lugar de encontros, com vista para o Pacífico e espaço verde onde muita gente se senta e conversa. E se beija. O parque é uma homenagem ao amor.

El beso
El beso

O olhar não sai da estátua do escultor peruano Victor Delfín. “El beso” é uma obra de arte notável.  Descomunal, tem 12 metros de largura e 3 de altura.
A caminho do Parque, entrei na galeria do edifício do município de Lima e descobri Guillermo Montesinos Pastor.
A exposição fazia parte da  II Bienal de Fotografia de Lima.
Os trabalhos de Guillermo Montesinos Pastor dão a conhecer o Peru do início do séc. XX, em particular da burguesia de Lima e Arequipa, uma cidade do sul do país.
Pastor captou também imagens fantásticas de cenas naturais. Muitas fotos do céu, nuvens, horizontes. Tiradas a partir da sua casa.
Segunda narra uma das filhas, era um ritual. De manhã, bem cedo, captava o nascer do sol.

Praça em Lima
Praça em Lima

Uma última experiência nesta zona foi uma zaragata entre dois motoristas.
Um deles conduzia uma combi. O clima não está bom para os motoristas das combis.
 Parte significativa do transporte de passageiros em Lima (e no Peru) é através de combis.
Não é recomendado para turistas. Por ser perigoso, com assaltos e (vi notícias na televisão) acidentes e o motorista desaparece. 
Em meios urbanos um dos problemas é a condução agressiva. A sinistralidade automóvel já é elevada e o número de atropelamentos é muito alto. A contestação estava a subir de tom e estava marcada uma vigília no Parque Kennedy.
Os motoristas das combis eram o alvo preferencial da Ciudadanos Contra la Impunidad en el Sistema de Transporte (CIST).

vendedor
Vendedor

Viajar de táxi também pode ser um sarilho. Numa praça de Lima, um homem vendia placas de táxi. Qualquer um podia comprar e trabalhar como taxista. Não havia controlo, bastava um mero registo. As recomendações eram para evitar apanhar táxis na rua. Chamar por telefone era o mais seguro.

É também na zona do Parque Kennedy que se encontra muita fast food. 
FKC, McDonald’s, Donuts… partilham as ruas com os mais variados cafés e restaurantes.
Tinha passado pela La Lucha e a fila era enorme. 
Noutro dia decidi regressar à sangucheria. Era hora de almoço.
Experimentei a sandes de frango no forno com uma chicha caseira. Tudo custou qualquer coisa como 15 soles. No pagamento pedem o nome e dão um objeto de madeira com um número. O cliente senta-se onde quiser, coloca o pin de madeira na mesa e passado poucos minutos está a ser servido.
À noite, regressei. Novamente muita gente. Desta vez, optei por carne assada com cebola e molho de tomate. A  bebida foi um sumo de papaia, ananás e banana. 
A comida é saborosa. O pão é estaladiço e a carne abundante.
O custo da mão de obra não deve ser elevado (o salário mínimo no Peru era de 267 US$, um dos mais baixos da América latina) porque a La Lucha tem muitos empregados. Todos muito jovens.
A sangucheria é uma das opções dos peruanos e, pelos vistos, também um grande sucesso entre os turistas. Eu fiquei fã.
Os cafés também são muito frequentados e à noite adequam-se aos hábitos locais que preferem uma refeição mais ligeira. Café com leite e um alimento mais leve.
Muitos locais gostam de dar dois dedos de conversa nestes cafés. São mais os idosos. Cumprimentam-se e outras que estão a dar uma volta também fruem um breve descanso e falam sobre o tempo… Parece que Lima viveu outros tempos, mais aprazíveis.
Uma vez  almocei no Chef Café, em Miraflores. Na esplanada, têm cintas nas mesas e cadeiras para prender os bens pessoais. Malas, carteiras, sacos…

As sangucherias e os cafés também vendem o pisco. O mais famoso é o Pisco Sour. 
Até as lojas de artesanato vendem garrafas. Um souvenir para os turistas.
No roteiro gastronómico de Lima teve ainda de ser incluído o ceviche e uma chicha morada. Obrigatórios  num país que se destaca pela gastronomia.

Ver ainda:
Admito, Machu Picchu é soberbo
De Cusco a Puno no Andean Explorer
Titicaca – a pedra do puma
O templo do Sol de Pachacamac
Peru – InfÚtil
Galeria de fotos

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