Reykjavik

Reykjavik é singular

Reykjavik é uma cidade pequena, bonita, em particular a zona antiga.
Ponto de encontro dos agricultores, é terra de serviços e de alguns turistas que passam por ali, um pouco desfasados do ambiente islandês.

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O tempo na Islândia tem humores. E não tem apenas a ver com os vulcões.
Para uma viagem de turismo, o melhor é conceber um dia com quatro estações. O mais difícil é o vento frio.
De dia pode haver um pouco de sol mas rapidamente muda.
Nos dias solarengos, é provável ter uma surpresa, ao final da tarde, com o por do sol.
O efeito é magnífico.

Reykjavik
Reykjavik

Reykjavik, quando da minha visita era uma cidade pequena.
Bonita, essencialmente a parte mais antiga.
A rua principal tinha muitas lojas e restaurantes, mas não era igual a muitos outros locais turísticos. Parte significativa das lojas era de comércio local. Desde ferramentas, comida, vestuário a pequenas livrarias.
Só na zona central é que imperava o comércio mais dirigido a turistas.
Havia zonas residenciais desinteressantes mas, muitas ruas, estavam decoradas com as cores das casas tradicionais. As mais antigas eram de madeira.
A cidade percorria-se bem a pé. Facilmente se identifica o norte por causa do mar.

ugar da cimeira Reagan - Gorbachtov
Local da cimeira Reagan – Gorbachtov

Um dos passeios mais interessantes era por uma estrada urbana, que partia da paragem dos autocarros, e seguia em direção ao mar.
A referência era uma mansão branca de madeira. Estava isolada. Foi aqui a cimeira entre Reagan e Gorbachtov, que marcou uma das fases mais relevantes do fim da Guerra Fria.
Se tiver a sorte de o tempo estar descoberto, vê de imediato uma zona rochosa, ao longe que se reflecte no mar.
Se o céu estiver um pouco nublado, o mar faz de espelho. Como a água é escura, devido à profundidade, as nuvens refletiam-se com contornos bem definidos.
Ao final da tarde o efeito era ainda mais espectacular. Misturavam-se cores azuis e alaranjadas com um resultado fantástico. Variava de minuto para minuto.
Eu ainda tive mais sorte. Um arco-íris, que se prolongou durante imenso tempo. Deu para percorrer a avenida até ao porto e contemplar uma paisagem inesquecível.

Reykjavik
Reykjavik

Pelo caminho havia uma estátua metálica dedicada aos marinheiros.
Tem a forma de um barco. Tão simples quanto bonita.
Num dos dias que passei por aqui, estava uma ligeira humidade e nuvens. A estátua brilhava com as gotas.
Num outro dia, de sol aberto, a estátua reflectia os contornos metálicos.  Sempre num ambiente calmo e contemplativo.
Deu para sentar no cais e olhar o horizonte. Com serenidade e sentir a dureza, o isolamento de quem navegou estas águas.
Poucas pessoas andavam por aqui. Eram mais frequentadas as ruas no interior da cidade.
A marginal tinha apenas movimento automóvel. 
Carros utilitários, muitos mistos, com capacidade de transporte de mercadorias e adaptáveis a percursos fora de estrada. O parque automóvel não era novo. Viviam-se os tempos da crise financeira e de bancarrota.
A estrada terminava perto da ópera.

centro da cidade - casa da cultura
Centro da cidade – casa da cultura

Após uma longa curva, era a zona central.
De um lado, um longo jardim que subia a encosta e ao cimo uma estátua, ao lado a casa da cultura e, na parte de trás, um edifício grande, o teatro.
Do outro lado, uma zona de bares, uma agência de turismo que fazia vizinhança com o mercado e o porto.

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Mercado de Reykjavik

Mercado de Reykjavik – não era muito grande mas tinha piada.

Produtos da pesca, vegetais, vestuário, alfaias agrícolas, brinquedos, artigos em segunda mão e pequenas lojas com comida e bebida.
Era um armazém grande, com ar rústico e muitas das pessoas que vinham aqui abastecer-se eram de fora de Reykjavik. Esta era, aliás, uma característica da ilha.

Porto de Reykjavik
Porto de Reykjavik

Muitas pessoas viviam isoladas ou em pequenos povoados.
Deslocavam-se aos principais centros urbanos para tratarem de necessidades básicas.
Comida, combustível, medicamentos e depositar ou levantar dinheiro.
Do outro lado da estrada ficava o porto.
Pelo meio havia vestígios de uma linha de caminho de ferro. Com uma pequena locomotiva.

Porto de Reykjavik
Porto de Reykjavik

O porto não era muito grande.
Poucas pessoas, alguns armazéns fechados e onde havia mais movimento era na parte de transporte de passageiros.
O acesso estava vedado, provavelmente por restrições de emigração.
Um barco de cruzeiros e embarcações de pesca estavam ancorados. Um deles funcionava como restaurante. Serviço refinado e muita clientela em particular à noite.

Porto de Reykjavik
Porto de Reykjavik

Numa das nossas visitas a luz natural era fantástica. O arco-íris e as várias cores a refletirem-se na água. Tons amarelos, laranja, azuis…
Um barco estava a entrar no porto, mesmo ao lado do farol que cintilava uma luz ligeira, adaptada ao ambiente.
Nesta zona do porto havia pequenas casas de madeira com partes metálicas.

restaurante
Restaurante

Algumas eram restaurantes. Fomos provar a sopa de lagosta e um bife de baleia.
A sopa era sensacional. Além de saborosa, aquecia o corpo. O bife… tive pena da baleia o que estragou o paladar.
O restaurante devia ter, no máximo, quinze metros quadrados. Mesas de madeira, bancos e jerricans que serviam de assento. 
A lotação máxima era para oito a dez pessoas. 
Estava decorado com produtos artesanais de pesca e ilustrações antigas.
A caminhada seguiu para fora do Centro. Uma mistura de edifícios públicos e construções antigas.
Galerias de arte moderna conviviam com bares antigos de madeira. Pequenos jardins. Uns públicos outros privados. Alguns com estátuas. 
Nesta zona a maioria das casas tinha dois pisos.
Havia também um museu que relatava a origem da Islândia, as tradições e costumes.
A relação com a Dinamarca, a independência, a importância do domínio das artes de navegação, em particular da pesca.
Estavam em exposição achados arqueológicos mas também produtos mais modernos que relatam a confluência de culturas essencialmente entre os dois continentes, a Europa e América.

Camara Municipal
Câmara Municipal

É próximo desta zona que está a praça com o jardim do município.
Um edifício de pedra escura, com o brazão real em cima, e ao lado um outro todo branco.
 Uma igreja com uma torre de madeira, um relógio e em cima um lindo catavento.
Em frente, um jardim que estava bem cuidado e que no centro tinha uma estátua.

Do lado contrário a estes edifícios históricos havia um passeio com mesas e bancos dos restaurantes.
Num dos dias que passámos por aqui estava sol e muita gente sentada no jardim e nos  restaurantes.
Almoçámos no Café Paris. O interior era simpático, com uma arquitectura moderna, empregados jovens e clientes com alguma idade que foram tomar um chá e conversar com os amigos.

lagoa
Lagoa

Para além deste jardim, escondia-se uma parte de Reykjavik que era linda.
Uma lagoa enorme, rodeada de casas e jardins.
A água refletia as cores do castanho outonal das árvores. 
Pelo meio alguns patos procuravam  os visitantes.

Famílias passeavam e as crianças não resistiam a oferecer um pouco de pão às aves.
Um dos lados da lagoa tinha um caminho romântico. 
Com muitas árvores e estátuas.
Vasos com flores davam ainda mais colorido.
Ao lado algumas habitações. São poucos os carros mas os que estavam parqueados eram mais modernos e caros do que a média do parque automóvel.

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Lagoa

Na parte final, a lagoa estreitava e aumentava o jardim.
Mais uma estátua, com flores em volta. 
A passagem para o outro lado foi feita por uma estrada que passa por uma ponte. Aqui o horizonte era dominado pela catedral, em cima, na colina.
Neste lado, a zona residencial era substituída por parques e edifícios públicos.
A caminhada terminou na zona dos bares, no centro.
Nesta tarde havia futebol, competições europeias, e estavam ligados vários televisores.
Na porta podia ver-se o horários dos jogos. Um deles era com o Benfica mas não tive sorte. A maioria dos clientes eram britânicos e a democracia excluiu as minorias.

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Catedral

Uma das referências da cidade era a catedral. Consegue-se ver de várias partes porque está num alto. Para se chegar lá tivemos de subir uma rua, um pouco íngreme, mas foi fácil.
Na catedral um homem tocava órgão. Poucas pessoas assistiam.
Fiquei com a ideia de que estavam de passagem. Fizeram como nós. Sentaram-se a ouvir a música, que durou apenas alguns minutos. O músico ensaiava para um concerto que teria lugar mais tarde.
A catedral era como a estátua da marginal. Simples, bonita e serena.
Os vitrais davam uma luminosidade suave e a pedra dos pilares um toque frio e robusto.
O que ficou mais na memória foi a vista da cidade a partir da torre.

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Vista da torre da Catedral

Subimos até ao topo da torre.
O vento, muito frio, impediu uma longa contemplação. No entanto, tivemos uma visão de conjunto: a disposição da cidade, o planeamento das ruas e o contraponto entre o mar e o interior da ilha.

Ver ainda:
O mundo maravilhoso de Jokulsarion

No encanto da Blue Lagoon

Círculo Dourado

O cavalo islandês

Islândia – InfÚtil

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