Sydney é um postal ilustrado

Ópera, Sydney Cove, Harbour Bridge… Sydney é um postal ilustrado. Bonito de se contemplar. Mais bonito ainda para se viver.

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Circular Quay

Surpreende a qualidade de vida e a coexistência de várias culturas, de forma natural e harmoniosa em Sydney.

O aeroporto parecia antigo.
Havia muita gente a chegar e a polícia de fronteira era lenta.
Austrália, UK , USA e NZ para um lado. Os restantes para outro lado, que o mesmo é dizer para uma longa fila.

O segurança era pouco amigo das máquinas fotográficas e dos telemóveis. Com ar agressivo interpelou uma jovem asiática para não fazer uso do aparelho, porque era proibido.

Ao contrário, o taxista foi simpático. De meia idade, pele branca e com ar gasto. Acolhedor, lamentou os aguaceiros e fez recomendações úteis, onde comer, lugares interessantes próximos do Ibis…
O táxi custou 47 AuD.

O custo de vida em Sydney era mais caro do que em muitas cidades da Ásia.

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O Ibis custou mais de 100 euros por noite e não era nada de mais.
Abaixo da média e nem sequer tinha acesso gratuito à internet. Pequeno-almoço nem falar. Está é bem situado, na Pitt Street, numa zona central. Próximo da Chinatown e da estação central ferroviária, e nas proximidades há muitos restaurantes e entretenimento.

Um dos restaurantes, logo ao lado, o Tiamo, tinha internet gratuita, o que devia causar vergonha ao Ibis.

Para matar o jet lag, após um banho relaxante, ida para a rua. Com uma sandes e um café no Tiamo amanheceu o dia e foi seguir em frente pela Pitt Street até ao porto.

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Sydney

As avenidas são largas e longas. Geométricas, pouco ou nada a ver com a Ásia.
A influência britânica com a arquitetura vitoriana é evidente.
Edifícios altos, muitos arranha-céus metalizados que, por vezes, fazem vizinhança com prédios antigos de tijolo castanho.

Esta variedade também se verifica nas pessoas, multiculturais, de vários tons de pele e tamanho. Sydney tem a sétima maior percentagem de indivíduos estrangeiros do mundo.

Os australianos, com o chapéu Crocodile Dundee, davam nas vistas, mais ainda porque são altos. Acho que até faziam de propósito, para marcar a sua identidade, somos genuínos. Uma parte significativa dos habitantes de Sydney é de origem asiática.

Conforme nos aproximamos do porto, aumentava a frequência de pessoas de cor branca. Estilo executivos. Todos cheios de pressa, em particular as mulheres, talvez pelos vestidos justos ao corpo que pareciam conferir maior ansiedade ao andar.

É o centro financeiro de Sydney, com muitos escritórios, banca e advocacia. Mais marcadamente ocidental, com restaurantes e pubs que são vulgares em Londres.

Sydney Cove
Sydney Cove

Depois de se atravessar a Alfred Street, muda radicalmente o ambiente.
Entra-se na antiga zona portuária, na Sydney Cove e o mundo relaxa. Em frente a baía, à esquerda, está a ponte e à direita a Ópera.

O ambiente hoje é de relaxe mas na sua fundação foi o oposto. Foi aqui que se fundou a Austrália com a chegada, em 1788, do Captain Arthur Phillip e mais alguns britânicos para criar uma colónia penal.
Foi duro.

Durante 22 anos, muitos britânicos foram sujeitos a condições de grande privação e trabalhos quase forçados.
Hoje não, é um dos postais ilustrados e orgulho dos australianos.
Quando cheguei estava frio e as nuvens escondiam o sol. O brilho foi substituído pelo ambiente romântico.

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Sydney Cove e a Opera House

O acesso à Sydney Harbour Bridge é vigiado por câmaras e está escrito numa placa que o caminho é seguro. 
É um percurso muito frequentado. A zona pedestre fica ao lado da via rápida e há turistas e locais a caminhar nos dois sentidos. A estrutura metálica tem uma parede de rede, uma vedação, e dificulta as fotos com a perspectiva da baía.

A vista é fantástica. Bares, passadiços e zonas verdes em terra firme. No porto estava ancorado um barco enorme de cruzeiro, muitos “cacilheiros” a rasgar a baía, ferries e embarcações mais recentes que servem para excursões ou táxi.

Do outro lado da baía, o edifício da Ópera, é fascinante.
Quase no final da ida começou a chover com insistência. Alguns vigilantes refugiam-se numa torre. Fiz o mesmo. É um ponto de acesso a uma torre, tipo vigia.

Pouco depois a chuva abrandou ligeiramente e o cinzento metálico tinha um pouco mais de brilho.

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Escalada na Sydney Harbour Bridge

No alto da ponte, nos arcos centrais, grupos de meia dúzia de pessoas, fazem a subida na estrutura metálica. Dá para ir até ao alto, na zona central, onde estão duas bandeiras.
As pessoas têm equipamento próprio, estão protegidas, mas é preciso alguma coragem para fazer o percurso com o vento e o frio que se fazia sentir.

A ponte demorou oito anos a construir, tem mais de 53 mil toneladas de aço e foi inaugurada em Março de 1932. A realização de um sonho que demorou meio século.
No entanto, a escalada na ponte só foi autorizada a partir de 1998. Relata quem já esteve na zona central, no ponto mais alto, que num dia de boa visibilidade é inesquecível a vista da baía. É possível fazer reservas.

Sydney - The Rocks
The Rocks

O regresso foi também pela The Rocks.
Os condenados, mal começaram a chegar a Sydney, partiram pedra e fizeram muitos trabalhos forçados nesta zona. A maior parte dos prédios foram construídos com as rochas escavadas desta zona, próximo da baía.

Desde muito cedo que a reputação ficou associada à prostituição e marginalidade. Até chegou a ser dominada por um gangue denominado Rocks Push.

O caminho das enfermeiras dá para uma rua muito estreita onde algumas figuras coladas à parede descrevem as características dos habitantes e de marginais que ficaram na história do bairro.

Após uma acentuada degradação, vários prédios foram sucessivamente demolidos e feitas novas construções. No entanto, foi apenas no final do século passado que toda esta zona foi reconvertida com uma grande variedade de espaços, em particular galerias de arte.

Campbell’s Cove
Campbell’s Cove

É um dos locais de maior interesse turístico e local de passeio para os que vão cear aos restaurantes junto à baía.

É, por isso, um percurso para fazer à noite, ao longo do cais, da Campbell’s Cove até se contornar um dos pontos extremos da cidade, por debaixo da Harbour Bridge.
 Havia muita gente a circular, iam para os restaurantes e pubs, em particular na Campbell’s Cove onde foi restaurado um complexo urbanístico, construído nos finais do séc. XVIII, pelo escocês que deu nome a esta zona.

Os prédios de pedra estão virados para a baía, têm uma vista espectacular e com esplanadas no rés do chão com uma luminosidade muito suave.

Quase toda esta zona está neste tom. Suave. Havia casais a passear, um deles devia ser de recém-casados e estavam acompanhados por um fotógrafo.

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Debaixo da ponte

A vista é espectacular. A Ópera, a baía, as luzes dos ferries, a ponte… 
Depois de passarmos o Hyatt, acompanhando a Hickson Road, a perspectiva mais interessante é para o outro lado da ponte. Do lado esquerdo do pilar, está a Luna Park Sydney.
Um enorme espaço de lazer que à noite se destaca, devido à intensa luz e às cores vivas das rodas, montanhas russas… que se projectam no rio.

Por baixo da ponte, fortuitamente, passavam grandes navios de cruzeiro que iam atracar noutra parte da baía.
Do lado direito do pilar, a vista refugiava-se nas luzes da zona residencial de Kirribilli.

Uma outra zona muito agitada, a partir do final da tarde, é a área financeira, entre a Georges e a Sydney Cove.

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Quinta-feira à noite

A noite começa a animar à quinta-feira. Muitos pubs, alguns deles enormes.
Ao final da tarde, as mulheres – mais de origem europeia mas também asiáticas – usavam saia preta, com uma ligeira racha atrás. Justas ao corpo. Parecia uniforme. À noite usavam vestidos pretos.

As mais jovens optavam por mini saia, sapatos altos e cabelos multicolores. Tal como em Hong Kong e em Singapura, muitos casais estavam aprumados a rigor. Roupa clássica, de gala, e estavam à beira da rua a aguardar por um táxi.

Na zona próxima da Chinatown o ambiente era diferente. Muita gente nova a vaguear. Restaurantes de fast food cheios, pequenos grupos de jovens, próximo da entrada de cinemas e lojas de conveniência, com vendedores asiáticos. Eram uma presença obrigatória em cada quarteirão.

Na zona interior da Chinatown o comércio continuava activo durante a noite.
Durante o dia também era maior a azáfama nesta zona da cidade.

Central Market
Mercado Central

A começar pelo Mercado Central, mesmo ao lado da Chinatown.
O piso superior estava repleto de galerias de roupa, artesanato e bijuteria.
No piso térreo vendiam-se vegetais, carne, peixe e frutas.
O mercado era vigiado, grande, com várias entradas e estava dividido por secções. Não havia apenas vendedores asiáticos, também aqui se verificava o multiculturalismo.

É um instante a passagem para o centro da Chinatown a partir do mercado central. Uma das ruas principais estava toda engalanada com materiais vermelhos e dourados.

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Chinatown

Muitos vendedores de rua de comida faziam concorrência aos restaurantes que era quase porta sim porta sim.
A gastronomia não era apenas chinesa. Os restaurantes destacavam no seu menu comida da Coreia, Vietname… em geral do sudoeste asiático.
No final da rua, um bonito quiosque de turismo. Todo vermelho e os recortes, combinados com a luz, provocavam silhuetas de figuras chinesas.

É nesta zona que fica um dos restaurantes mais conhecidos da chinatown: o Mother Chu’s Vegetarian Kitchen. Fica no 367 da Pitt St, um pouco acima do Ibis. Jantei lá. A comida é bem confeccionada, o serviço é rápido e o atendimento é frendly. 
Um bom jantar por 25 Aud.

Ao lado da Chinatown, a caminho de Harbour Darling, há ainda o Chinese Garden of Friendship.
Entramos no oposto do ambiente desta zona. Calma, contacto com a natureza, o som leve da água a escorrer, casas tradicionais e envolvidas num cenário verde e reflectidas nos lagos…

O oposto da agitação da Chinatown e do outro espaço vizinho: a Darling Harbour.
É um centro de entretenimento. Tudo novo, com cafés, gelatarias, restaurantes, lojas, hotéis, passeios, pavilhões, aquário, zoo… ruas pedestres, tudo em volta da Darling Harbour.

Pyrmont Bridge
Pyrmont Bridge

É aqui que se encontravam os hotéis mais luxuosos, os restaurantes com gastronomia mais refinada e também vários casinos.

Arranha-céus, de materiais modernos e que, de noite, ficam engalanados com luzes a refletirem-se na água.  Cercam o espaço que, mais se assemelha a uma concha.

A concha fecha com a Pyrmont Bridge. Uma via pedestre que marca o território do entretenimento. Para lá da ponte, do outro lado da baía, é uma zona portuária vulgar com várias embarcações militares.
A Pyrmont Bridge é muito frequentada. Mesmo com imenso calor havia gente a fazer marcha, a correr… e muitos turistas.

Hyde Park and tower
Hyde Park e torre

O local oferece a possibilidade de fotos urbanas muito interessantes e de noite é extraordinário, com os imensos reflexos na água.

Depois da ponte há um outro percurso interessante.
Um pouco longo mas pode-se fazer com calma.
Um quarteirão após a saída da ponte temos a torre.
Não era fácil de visitar porque costumava ter filas.

A vista é muito bonita mas nada de mais.
268 metros acima do solo, a ponte reserva outra experiência: Skywalk.

Seguindo em frente, depois do Hyde Park, passamos pela Hospital Street, onde encontramos construções com arquitectura colonial, e entramos no Jardim Botânico, designado por Royal Botanic Gardens.

O jardim é descomunal, tem 34 hectares e uma óptima localização.
Imenso espaço verde, canteiros, lugares de entretenimento e recreio, espaços para actividades culturais e desportivas, em terra e na água e, no final, o caminho termina na Ópera.

Royal Botanic Gardens
Royal Botanic Gardens

No dia em que visitei o Jardim fazia imenso calor.  Todos os bancos com sombra estavam ocupados. Num relvado amplo aproveitei a sombra e estiquei-me na relva. Relax. No mesmo espaço aberto, duas mulheres apanhavam sol e um casal fazia uma pausa na sombra.
No meio do parque havia um centro informativo com restaurante e café. Dava para fazer uma pausa e isolarmo-nos do meio urbano. Tudo em redor é verde.

Parte do caminho é feito ao lado da água. Refresca.
Mais relaxado, pela via pedestre, seguiam muitas mais pessoas. Todas com o olhar em frente.
A Ópera esmaga.

Sydney Opera House
Sydney Opera House

Ver: Sydney – fomos à Ópera

É aqui, na Austrália, que começa o dia.
A Europa dorme e a América ainda trabalha. Como tudo o que se passou já foi ontem, nem apetece ver as notícias.
O sol nasce cedo e vai embora por volta das 19.30h. Tempo de Primavera. No entanto, é como na Cidade do Cabo, num só dia cabem todas as estações.

Num dia que começou nublado, ameaçou chover e pouco depois o sol tornou-se dominador, optei por um hop on hop off.
Na Georges, comprei o bilhete para o Explorer que tem dois percursos. Um na cidade, o outro vai até Bondi Beach.
No National Museum transferi-me para o Bondi Beach. Valeu a pena o investimento de 40 AuD.

Fomos pela Kings Cross e seguimos em direção à zona Este. Áreas residenciais de valor imobiliário acima da média, casas ajardinadas, estacionamento privativo… Na Ásia quase todas as casas deste género têm muros de proteção, redes e grades nas janelas e portas. Aqui não.

Depois da área residencial, começa a dominar o verde, encostas altas e do outro lado o mar.

Bondi Beach
Bondi Beach

Um pouco ao longe já se via a Bondi Beach.
Fica apenas a cerca de 10 km do centro de Sidney mas a mudança de ambiente é radical.

Uma descida em direção ao centro da localidade já dava para ver o areal.
Junto à estrada muito comércio com fast food e vestuário de praia.
Alguns dos edifícios mais altos serviam de alojamento, era o caso do hotel Bondi, que se destacava pela torre com o relógio, e nas zonas mais protegidas estavam moradias de luxo.
No outro extremo da praia, nova concentração de casas que se espraiavam pela colina à beira mar.

O acesso ao areal podia ser feito através de um parque e havia muita gente a aproveitar a sombra para descansar ou saborear uma bebida e fast food. As gaivotas também aproveitavam as migalhas.

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Surf – Bondi Beach

Havias vias pedestres e muitos locais a fazerem jogging. Estavam sempre a ir para lá e para cá. Indiferentes à rotina dos visitantes.
O areal tem cerca de um quilómetro de extensão, areia branca e o mar com boa ondulação para o surf. Havia, aliás, mais gente a praticar surf do que no areal.

É uma das praias mais conhecidas na Austrália e visitada por milhares de turistas.
Apareciam aos magotes, em excursões. Muitos asiáticos. Pose para selfies com o verde do mar no horizonte.
Os guias dizem que a água é fria mas não me pareceu. Se o valor de referência é o Atlântico, não é mesmo fria.
A bandeira estava a duas cores, amarela e vermelha. Fiquei próximo do nadador salvador. Em cima de uma mota emitia sons e esbracejava em direcção aos surfistas. Queria-os mais para trás e para a direita.

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Rose Bay

No regresso da praia de Bondi a Sydney, há dois pontos que não se podem perder.
Um é em Rose Bay. Tem uma vista magnífica do porto com a Ópera e a ponte numa mesma perspectiva.

Outro ponto é Double Bay, uma área muito arborizada, com numerosos edifícios com traça tradicional, de madeira, e também casas de luxo com cais para a marina, comércio para gente endinheirada…

Um pouco o oposto da densidade urbana e turística em alguns percursos entre Potts Point e a ex-operária Millers Point.

Muito se constrói, em particular em Darling Harbour. Deve ser devido aos lucros dos casinos. 
Mas há ainda mais para construir. Algumas áreas estão em profunda renovação com muitos trabalhos de construção civil.

Fiquei um pouco surpreendido, havia muitas pessoas de origem ocidental nas obras. Grandes e pequenas empreitadas. Os taxistas e condutores de autocarros eram maioritariamente asiáticos.
Quebra um pouco a ideia comum a muitas cidades da Ásia, de que os trabalhos manuais são ocupados quase em exclusivo por asiáticos, com salários mais baixos.

Town Hall
Town Hall

Nas ruas de Sydney era também frequente ver casais mistos. Não pareciam encontros fortuitos, como em outras cidades do sudoeste asiático.

Um dos lugares muito frequentados, ao princípio da noite, era a Georges.
Passei por lá várias vezes. Depois de um café numa 7Eleven, para fumar um cigarro na rua.
Havia muita gente a passear por aqui ou a apanhar transportes públicos, em particular o metro na estação Town Hall, que fica mesmo em frente à sede do município, um edifício vitoriano construído no final do século XIX.
Tem uma torre bastante alta e está quase sempre iluminado.

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Músico de rua

Nesta zona, como em muitas outras da cidade, em particular durante a noite, havia músicos de rua. Ponto comum: som pesado. Percebe-se o sucesso das bandas australianas de hard rock.

Sydney é uma cidade com uma grande atividade cultural.
Se durante a noite encontramos músicos de rua, teatro, cinema… durante o dia a agenda cultural também é muito diversa.
Há muitas galerias e também espaços públicos, do município ou do governo regional.

Por exemplo, na zona do National Museum havia uma grande variedade de oferta. A começar pelo próprio museu que tinha imensos espaços com coleções permanentes e exposições temporárias. É muito frequentado e está bem localizado.

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ANZAC

Próximo da torre e do Hyde Park, cujos passeios estavam quase sempre cheios de gente, está o ANZAC, o memorial ao contingente de forças militares da Austrália e da Nova Zelândia que participou na I Guerra Mundial.
É um edificio em cimento, com um lago e uma longa escadaria.
Sentar nas escadas é ofensivo.
Os australianos herdaram muitos dos valores britânicos. Muito orgulho. Tudo o que fazem é magnífico. É a mensagem do memorial, do museu, da Ópera. Em quase tudo o que têm para mostrar. É tudo great.

Esquecendo este orgulho British, deve-se reconhecer, pelo menos, que a escultura Sacrificio é interessante. A peça é em bronze, da autoria de Rayner Hoff e a nudez do soldado não reuniu o aplauso da sociedade local, quando da inauguração do memorial em 1934.

Na Sydney Cove há também muitos espaços culturais para visitar. Além da Ópera e das galerias na The Rocks, logo à entrada temos o National Museum of Contemporary Art.
Não é muito grande, tem dois pisos e a entrada é livre.

A arquitetura exterior é interessante e o interior é despretensioso. Simples e eficaz quanto baste.

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Martu Art

Fiquei fascinado com a exposição Martu Art from the Far Western Desert.

Os Martu são uma comunidade aborígene, segundo o curador da exposição, a pintura faz parte de uma atividade social e, o que mais me fascinou, foram as cores e a ausência de traço.

São pinturas elaboradas. Os espaços, os elementos, os sonhos e a visão do mundo por parte de artistas aborígenes que nos contam a sua história, o seu olhar com uma simplicidade esmagadora. Não há traço. Há pigmentação linear ou sequencial com um fantástico efeito estético. Cores vivas, geometrias variáveis, pontos que contrapõem linhas.
Algumas pinturas tinham mais do que um autor.
Numa outra sala, os trabalhos expostos tinham uma postura mais crítica. Fria. Para os militares e os colonos britânicos e o que estes fizeram aos aborígenes.
Havia uma grande diversidade de trabalhos e resultavam de uma seleção de jovens artistas. O nome da exposição, Primavera, é bem conseguido.

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Vista do bar

No piso superior estava a coleção permanente. Fotos, pinturas, instalações… e o bar.
Tem uma vista soberba da ponte, da baía e da ópera. Sem problemas: um café (se quiser, ótima sobremesa) e minutos de contemplação.

Por vezes o silêncio era quebrado por algum grupo mais expansivo, pelo apito de um barco ou pelo didgeridoo usado por um grupo musical de origem aborígene.

Eles costumavam estar mesmo à entrada da Sydney Cove, junto a uma zona verde.

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Animistix

O nome da banda era Animistix e na altura estavam a promover o álbum Transmutation.

Um dos aborígenes era bom no marketing.
Posava para as fotos, em particular quando comprei um CD. Mas também o fez para os turistas, convidava as crianças para se sentarem à sua frente a os pais captavam o momento na máquina fotográfica ou de filmar enquanto ele mudava de pose. Tudo isto com a música em fundo.
Um outro aborígene estava sentado a seu lado, a soprar no didgeridoo, e o terceiro elemento, com ar ocidental, marcava o ritmo com dois paus a bater no marco metálico que separa o passeio da rua.

Este grupo pertence a uma comunidade de artistas e agentes culturais com raízes aborígenes.
Aqui próximo, mesmo em frente à bilheteira dos ferries, um outro grupo também promovia a cultura aborígene com música e artesanato.

Em Sydney (e nas outras cidades que visitei) não é frequente ver aborígenes.

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Aborígene na Sydney Cove

Havia muitas lojas com produtos aborígenes, mas pertenciam a cadeias de distribuição ou de retalho. Propriedade ou gestão de aborígenes é muito raro. Na verdade, era mais frequente ver aborígenes a dormir na rua, desamparados ou solitários.

Não eram os únicos. Havia muitos sem-abrigo, a maior parte de origem ocidental. Não vi um único de origem asiática.
Um dos locais com maior concentração era a estação de caminhos de ferro, a Sydney Central.
Não fica muito longe do Ibis, o edifício identifica-se rapidamente devido à sua construção antiga, uma arcada em metal e uma torre altíssima (75 metros) com um relógio.

Quando se chega à estação, o filme muda. Passa a preto e branco.
Na baía de Darling Harbour reparei que não havia um único saco de plástico, uma lata ou qualquer outro tipo de lixo na água. Na estação é diferente.
À entrada, muitos restos de cigarros.
Um sem-abrigo estava deitado na esquina com um cartão a tapar o rosto.
Um homem fumava de queixo levantado, para evitar que o fumo contagiasse uma ave verde, que estava pendurada no colarinho da sua camisa. Com alguma frequência afagava a ave.

Pouco depois, fui abordado por um homem que disse qualquer coisa. Só percebi café. Acenei que não. Ele, olhos nos olhos, comenta: Seriously! Não respondi, ele deu, entretanto, alguns passos atrás e cravou um cigarro a uma mulher que tinha acabado de enrolar o tabaco.

Pouco depois, chegaram três homens relativamente jovens. Um deles aparentava estar alcoolizado. Parecia o mastro de um pequeno barco em dia de vendaval. Não sei como não caiu. Encostou-se, entretanto, a um poste e, lentamente, foi escorregando até se sentar. Tinha a mão na boca ou no nariz e não dizia nada. Ao contrário, um dos outros homens, só clamava you are crazy, crazy.
O terceiro teve de se socorrer a si próprio. Tinha uma ligadura numa mão, estava a fumar e, não sei como, a ligadura começou a arder. Deu um berro, agitava o braço (o que fazia a chama aumentar). Quanto mais rápido agitava a mão, mais rápido a ligadura era destruída. Com a outra mão teve de retirar os pedaços que se desfaziam e tapar o resto da ligadura com a roupa. Finalmente conseguiu parar as chamas.

Voltei para o interior da estação. Poucos turistas, poucos jovens, poucos mochileiros. Gente com mais idade e mais pobres.
Um homem com dois sacos, gordo, meio calvo, tirou uma maçã e um pano. Passou o tecido pela testa e pela calvície e depois limpou a maçã. Ainda fez mais operações de limpeza com o pano….

Entretanto, o homem com a ave pendurada no colarinho, entrou e saiu várias vezes. Algumas pessoas sorriam e ele cumprimentava-as.

Eu estava a fazer tempo para apanhar o comboio rápido para Melbourne que tem um nome bonito: o XPT train

XPT train
XPT train

Faz a viagem durante a noite, parte de Sydney às 20.30h e chega a Melbourne às 07.25h.
Um bilhete em económica custa 130 AudD.

Partia da linha 1. Era em direção a esta linha que seguia uma mulher toda dobrada. Estava a falar para um telemóvel. Oscilava, quase que caía para o lado onde tinha o telefone.

Vejo-a mais tarde, quando o XPT está quase a partir. Transportava vários sacos e estava acompanhada por um rapaz. Ela era relativamente jovem.
Dois empregados aproximaram-se e fizeram perguntas. Ela ficou muito agitada. Procurava qualquer coisa nos bolsos, nos sacos, na carteira. Sem cessar. O rapaz soletrou um nome, um dos empregados percorreu uma lista mas, nada. O rapaz voltou a soletrar, W, O, I…
Juntou-se uma mulher , também funcionária dos caminhos de ferro. Ficou consternada, ao ver a jovem no chão, a remexer nos sacos. Ela tirou plásticos, carteira, copos de papel, meteu as mãos na cabeça… Gritou para o rapaz que entretanto se afastou. A mulher deu-lhe uma indicação, ela responde com uma pergunta, a seguir com um gesto. A mulher acenou com a cabeça a dizer que sim. Deduzo que o diálogo terá sido: se encontrar o bilhete posso viajar no comboio? Sim. Mas, afinal, faltava encontrar o bilhete.
A jovem voltou a revolver os sacos e pouco depois terá insinuado que ia entrar no comboio.
Ela tinha razão, estava na hora da partida. A funcionária, já com ar menos condescendente, acenou a dizer que não, e puxou de um walkie talkie.
O comboio partiu, a jovem começou a gritar e os passageiros, que assistiam à cena dentro da carruagem, em frente, comentaram quase em uníssono: oh, no!

Enquanto tudo isto se desenrolava, passou ao lado um homem, de meia estatura, todo vestido de preto, com um chapéu também escuro, com barba e duas tranças de cabelo que se arrastavam pelo chão.

Quanto à viagem, o melhor é esquecer já que, dormir não foi possível.
Um homem ressonava que nem um porco. Desgraçada da mulher que ficou ao seu lado.
O amigo dele seguiu atrás, no banco ao meu lado. Não parava. Tinha um fetiche por bancos vazios.
Por vezes falavam em voz alta, em especial quando os vizinhos faziam esforço para adormecer.
Uma família, com duas crianças, também meteu conversa com um australiano e decidiram atualizar o encontro de ocasião, mesmo com as luzes fechadas.

A viagem tinha 17 paragens. O empregado acordava com dez minutos de antecedência as pessoas que iam sair. Ele era muito simpático mas, não evitava que os outros passageiros também acordassem.

O percurso foi quase todo de noite.
Deu para perceber que a Austrália é um país rural. Extensões enormes sem ninguém, pequenos povoados com habitações rasteiras, bombas de gasolina, farmácia, casas de hamburguers..
Em alguns locais eram visíveis veículos utilitários e zonas planas com gado, vacas e ovelhas.

Fizeram bem em preservar as estações antigas. São de madeira, amarelas ou vermelhas e todas têm bancos onde está escrito o nome da povoação.
Só quando nos aproximamos de Melbourne é que muda a paisagem. São maiores as concentrações urbanas, as casas com mais pisos e construídas com outros materiais.

Ver:

O charme de Melbourne

Fomos à Ópera de Sydney

Um café expresso em Fremantle

O affaire com Perth

Austrália – InfÚtil

Galeria de Fotos

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