Jacarta imprevisível

Jacarta é confusa, poluída, enorme, pobre e desconcertante.
Mas também é uma cidade de gente afável e com surpresas permanentes.
Jacarta é tudo isto e o seu contrário.
 Como é afirmado no site de turismo da cidade, Let’s explore Jakarta! The City of a Thousand and One Faces.

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Não é uma cidade para turistas convencionais. O resultado é que há muito poucos.

Jacarta
Jacarta

Alguns holandeses que procuram redescobrir a história do seu país e pouco mais.
Mesmo em lugares históricos, mais turísticos, são poucos os visitantes estrangeiros.
 Preferem Bali.
Também não é uma cidade para andar a pé. Ruas enormes, muito calor e humidade, difícil percepção dos nomes das avenidas e, em particular, atravessar as estradas é uma aventura.

Jacarta
Jacarta

Também não é uma cidade para andar de carro.
Os táxis são baratos mas temos de nos confrontar com filas enormes, longas esperas… só para sair do estacionamento do aeroporto foi quase uma hora!
Cheguei ao hotel três horas depois.
Se é assim, qual o interesse de Jacarta? É exactamente por ser assim.

vendedor ambulante
Vendedor ambulante

Para se descobrir, sem roteiros programados. 
Para nos deslumbrarmos com uma rotunda cheia de vendedores ambulantes. Vendem a quem passa (peões ou condutores) café que se faz na hora, jornais a condutores que encostam à berma e que agudizam o problema do trânsito….

Ruas com postes de iluminação com a base dentro de bidões cheios de cimento.
Pequenas ruas de restauração com gente a comer no passeio e outros que nada vendem, mas estão ali todo o dia. Manifestações em frente do palácio presidencial.
Imprevisível.
Tem tudo, quase levado ao extremo, de uma cidade do sudoeste asiático.

vendedors ambulantes
Vendedors ambulantes

A primeira sensação é a cidade de um palmo de estrada. 
Carros, autocarros, bicicletas, motas, tuk tuks… todos disputam um palmo de estrada, para ganharem posição. 
A sinalização é como se não existisse e os peões não têm lugar na cena. Safam-se.
Levam, todos, é com a imensa poluição.
As estradas estão repletas de veículos e, muitos deles, antigos e extremamente poluentes.

Algumas pessoas, em particular as mulheres jovens, andam com uma máscara.
Passeios há poucos. Estão ocupados com tendinhas. Noutros locais há restos de passeio.

rua no centro de Jacarta
Rua no centro de Jacarta

Esta é a consequência da grande metrópole que fascina os povos rurais.
Jacarta é a maior cidade do sudoeste asiático. Tem mais de 18 milhões de habitantes.

Jacarta significa terra da vitória. A sua história está marcada por várias civilizações.
Os portugueses foram autorizados a construir uma fortaleza em Sunda Kelapa, lugar portuário e estratégico da ilha de Java. Anos depois, foram expulsos e travaram uma longa batalha quando tentaram retomar a posição. Não conseguiram.
Na altura, os locais denominaram o lugar como Jacarta.

MONAS.
MONAS.

Aprendi tudo isto num diaporama que estava na base do Monumento Nacional, o MONAS. Uma torre com quase 140 metros com uma tocha no alto. O símbolo da determinação e da unidade dos povos da Indonésia.
É um bom miradouro para se ter uma ideia da dimensão da cidade.
O bilhete para se aceder ao topo foram 2 mil rupias. Menos de 2 euros.
O problema foi chegar lá. Muita gente. Uma pulseira determinava a hora da visita.
Apanhei uma excursão de estudantes e o acesso foi através de elevador que só levava 11 pessoas e demorava uma eternidade a fazer a viagem de ida e volta.
Estive na fila mais de uma hora.
Suspeito que a costela chinesa esteja na origem do facto de eles não respeitarem a ordem de chegada. Alguns tentavam entrar a meio das filas. A polícia, atenta, mandava-os para o fim. Outros sentavam-se na sombra do monumento, aguardando a vez.

Vendedor ambulante no Monas
Vendedor ambulante no MONAS

Como era um ponto de passagem de muitos visitantes, havia também vendedores ambulantes. Comidas e bebidas. Água e refrescos.
No dia da minha visita estavam 33 graus e muita humidade.
Tinha ido a pé, a partir do hotel Íbis Jakarta Arkadia.
Percorri a rua de restaurantes asiáticos e indonésios sugerida pelo condutor do transfer do hotel. 
Os passeios estavam ocupados com motas e tendinhas. Havia obras.
Parte do percurso teve de ser feito pelo meio da rua. Poucas sombras. Algumas corridas para atravessar a estrada, como no Vietname.
Chega-se cansado.

praça Merdeka
Praça Merdeka

O que vale é que, após a entrada na praça onde está o MONAS (a praça chama-se Merdeka,  que significa liberdade), havia uma ampla zona verde.
Sombra, ambiente calmo e propício a troca de fotografias.
Dois rapazes pediram-me para tirar uma fotografia com eles.

Vendedor na praça Merdeka
Vendedor na praça Merdeka

Famílias juntavam-se em piqueniques, próximo de um pequeno circuito para motociclos, e muitas tendas de roupa e comida. T-shirts, chapéus, óculos, fritos, bebidas, artesanato, fruta, ovos cozidos, coelhos, brinquedos… alguns aproveitam para dormir uma soneca.

O almoço foi num restaurante indonésio. Um buffet. Os empregados são divertidos e não se cansam de fazer sugestões, tal como em outros locais, sempre com hospitalidade.
Arroz, galinha, ovos de pato, alcachofra e não sei mais o quê. Saboroso. Tudo fortemente condimentado.
Tal como no sul da China, as mesas têm um tampo de vidro. Muitos pratos, comida variada e vão provando o arroz. Os restos de alimentos são deixados em cima do vidro.
Eu paguei 100 mil rupias. Qualquer coisa como sete euros.

nas ruas vendem bebidas com fruta e são refrescantes
Nas ruas vendem bebidas com fruta e são refrescantes

No dia anterior a experiência foi mais interessante. Também num restaurante indonésio.
O prato principal foi um capcay de galinha com arroz. Tem imensos vegetais mal cozidos e não é picante.
A sobremesa foi Cendol. Muito bom. Uma sugestão do cozinheiro. Assisti à confecção, foi rápido. Juntando tudo isto a uma Coca-Cola e café, a conta final foi 62 mil rupias. Cerca de quatro euros.
Talvez a refeição mais desinteressante tenha sido num restaurante local mas com aspirações ocidentais. Uma esplanada bem cuidada, com vista para a agitação da avenida Thamrin.
O prato principal foi um special fried rice. Não estava mau. O problema foi a bebida. Não quis gelo e a bebida estava à temperatura ambiente. Ou seja, 27 graus. Horrível.

Músicos numa tendinha
Músicos numa tendinha

Parte destes restaurantes não têm muita gente. 
Os preferidos são os que têm bancos e mesas nos passeios. E as tendinhas.
É um cenário interessante, percorrer estas zonas à noite. Alguns músicos alegram o ambiente. Adultos e crianças. Uns a comer outros a vender.
Há comida feita ali, ao ar livre. Mais sofisticada ou improvisada num braseiro.
A maior parte da comida é massa, fritos ou espetadas
. A louça é lavada em alguidares no chão.

tendinha de comida
Tendinha de comida

Não há hora de jantar.
Comem quando têm fome. O que significa que estes lugares têm sempre gente.
Por aqui também havia gatos. Pequenos. Circundavam as barraquinhas e surpreendeu-me como sobrevivem com tantos carros e motos.
O café passou a ser um lugar preferido. No Excelso. Tomei um dos melhores espresso na viagem pela Ásia. Fica numa das entradas do Sarinah, o primeiro centro comercial da Indonésia, com cinco pisos. Um dos maiores da cidade.

Restaurante do Batavia
Restaurante do Batavia

Em Jacarta saboreei um outro espresso muito bom. No Batavia. 
Fica no Kota Tua, a zona histórica marcada pela arquitectura colonial holandesa.
O Batavia é muito bonito. 
A traça colonial está muito bem preservada. Mesas com balcão de mármore, tectos com candelabros e ventoinhas. 
As paredes era de madeira e estão cobertas de quadros e fotos de personalidades ocidentais.

WC do Batavia
WC do Batavia

Obrigatório é visitar as casas de banho, caso mantenham o design. Não é piada. Pelo menos a dos homens. Toda a decoração era de fotos. Enchiam as paredes e reflectiam-se no lavatório metálico que estava no centro.
No primeiro piso há um restaurante. Também com um estilo refinado e com vista para a praça central. 
Foi o local onde vi mais turistas.
No Excelso o café custou 24 mil rupias, no Batavia um espresso e uma água custaram 100 mil rupias. Mas valeu a pena. Pela descoberta e pelo refrescamento. 
Na praça estava imenso calor. Sol e humidade. Mais de 30 graus.

Estudantes
Estudantes

Como havia poucos turistas, a tarefa não era fácil para os estudantes que tinham de fazer um exercício de conversação com estrangeiros. Só eu fui abordado, talvez, uma dezena de vezes.
Nome, nacionalidade, profissão, meio de transporte, motivo da visita…. 
Tinham uma folha com o questionário, outros gravavam o som ou filmavam e, no final, posávamos para uma foto.
Um outro grupo, só de raparigas posava para uma foto em frente ao museu de cerâmica. Aproveitei a pose.

Grupo de jovens
Grupo de jovens

Elas divertiam-se  com a minha intrusão e, em nenhum momento, manifestaram incómodo. 
No final, algumas quiseram tirar uma fotografia comigo.
O cenário era interessante porque, através de um pequeno grupo de jovens, se percebia a grande diversidade cultural e religiosa dos indonésios.
Os gostos, as roupas, os gestos amistosos e a forma como lidavam com estranhos.

Praça do Kota Tua
Praça Kota Tua

A praça e as ruas circundantes estavam cheias de gente. Famílias e jovens a passear.
Muitos vendedores ambulantes, artesãos, performers e, no meio de um calor intenso, uns desgraçados que andavam com umas roupas felpudas, bonecos gigantes, a aliciar as crianças para tirarem fotos.
Apesar de ser um ponto de encontro e estar referenciado nos guias como uma zona histórica, muitos dos prédios estavam degradados.
Em redor da praça era onde existiam mais edifícios restaurados. Alguns com o apoio de instituições internacionais.
Nas ruas limítrofes, os prédios de dois a três pisos estavam degradados e ao lado passava um canal com água castanha, cheia de lixo.

transporte de cocos no rio
Transporte de cocos no rio

Alguns homens andavam numa canoa de bambu a transportar cocos. A paragem é debaixo de uma ponte onde estavam mais objectos. Tiro fotos. O homem que está debaixo da ponte acena. Não percebi se por desagrado ou gentileza.

Há vários museus e galerias em Kota Tua. Uma delas tinha uma exposição sobre o património indonésio recuperado ou apoiado pela Unesco. A filantropia esteve na origem de muitas destas iniciativas.

Representação no Nayang
Representação no Nayang

Visitei ainda o museu Nayang.
A representação através das sombras de figuras humanas. Mitológicas. Interessante. 
Tinham peças da Indonésia e de outros países asiáticos.
No piso térreo havia um espectáculo. Segundo um dos membros do museu, estavam a representar uma peça equivalente ao Romeu e Julieta.
Um homem gesticula com figuras. Diz algumas frases. As sombras reflectem-se numa parede e vários músicos  enchem o cenário de sons.
Este grupo é apoiado pela Unesco, por um grupo de mecenas e por receitas próprias, através de vendas e digressões internacionais.

Uma outra praça interessante é a Plaza Indonésia. Não tanto como Kota Tua.
É um dos centros turísticos, em particular à noite.
É aqui que estão os maiores e mais requintados hotéis de Jacarta. Também as lojas de marca.
Toda a zona é constituída por arranha-céus, hotéis, escritórios, bancos.
Muito vigiada, apesar de ter visto uma mulher a ser assaltada por dois homens que seguiam numa motorizada.

City Tour
City Tour

Uma das possibilidades de percorrer os locais mais interessantes da cidade é através  do City Tour.
Um autocarro de turismo, de dois andares, parecido com os que circulam em muitas cidades europeias. Pára junto de alguns hotéis (tem uma paragem em frente ao Sarinah e próximo da entrada para o Monumento Nacional, junto à estação de polícia).  É do Estado. É gratuito e muito utilizado pelos locais. Por isso, não é fácil conseguir um lugar.

Circular de táxi não é problemático. Há companhias como a Blue Bird que são recomendadas. Leve sempre um cartão do seu hotel.
Mesmo assim, alguns taxistas têm dificuldade em saber a localização.
Evite apanhar táxis ou carrinhas de transporte colectivo.

Muitos dos locais a visitar exigem alguma paciência. É frequente haver filas.
Apesar da confusão não se sente insegurança. Os cuidados são os habituais.
Os habitantes de Jacarta são prestáveis em dar uma ajuda. Por outro lado, alguns vendedores ambulantes interpelam os turistas mas não insistem. Outros ficam apenas curiosos.
Circular, sempre, com água e protecção para o sol. Caso compre água nas tendas de rua, confirme se a tampa está selada.
Jacarta é um bom local para compras. Os centros comerciais têm uma grande variedade de produtos e não são dispendiosos. Nos centros comerciais há ATMs e aceitam pagamento com cartão de crédito.
Aqui pode encontrar mais informação útil sobre Jacarta.

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