Conhos, que Conhal!

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É uma paisagem estranha. Singular. Concentração de seixos em montes, nas encostas da serra, no meio de um olival… Por todo o lado pedras arredondadas, brancas, rosadas, cinzentas e muitas delas com mais de um palmo de comprimento.
Alguns dos montes são enormes, com dois a três metros de altura e uma extensão de dezenas de metros.
Em outros locais, os seixos servem de suporte para os socalcos nas colinas, onde há alguns olivais.
São terras pouco cultivadas devido à profusão de pedras e à necessidade de as transportar e amontoar em locais que não prejudiquem o olival.

Pode-se andar em cima dos montes, são subidas um pouco difíceis e exigem algum cuidado. Quando estamos no topo, a perspetiva é interessante, rodeados por todo o lado de pedras arredondadas.
O nome que deram ao local é também estranho: Conhal. Deriva do nome “conhos”, os calhaus rolados de quartzito.

O Conhal fica entre o Arneiro, no concelho de Nisa e as Portas de Ródão.
A distância do Arneiro é de aproximadamente 3km por um caminho estreito de terra batida. Pode-se ir de carro e a condução exige cuidado.

Segundo um estudo, a área do Conhal é de 60 a 70ha.
É um vestígio romano e de uma mina de ouro de aluvião.
 A extração fazia-se através de água, que também era utilizada na lavagem dos sedimentos.
“Basicamente, consistia em desmanchar os depósitos detríticos auríferos servindo-se da força motriz da água. Neste processo as pedras maiores eram retiradas manualmente e empilhadas onde não estorvassem. A jusante havia tanques de decantação e lavadouros (agogas) onde as pepitas eram separadas do cascalho e areia.” –
Monumento Natural das Portas de Ródão, de Jorge Gouveia (documento em pdf) ;
A água vinha da Serra de S. Miguel e da Ribeira de Nisa através de canais escavados, designada Vala dos Mouros.
Segundo informação fornecida no local, as pedras empilhadas ao longo das margens atingiram mais 5 metros de altura. O volume de sedimentos trabalhados há quase dois mil anos terá sido superior a 10 000 000 m3.
A  extração mineira teve lugar no tempo dos romanos e na época medieval. 
De uma forma menos sistemática chegou ao século passado e, além de ouro, foram ainda extraídos prata e ferro.

Em Arneiro há um centro interpretativo sobre as minas. Fica na antiga escola primária. O edifício está bem cuidado e tem um catavento interessante. O Centro Interpretativo do Conhal foi inaugurado em Abril deste ano.
Outro edifício que se destaca no Arneiro é a igreja. Está num local elevado e é bem visível a grande distância. A igreja é toda branca, com uma grande porta de madeira e, na parede exterior, os vitrais albergam ninhos de andorinhas.
 O campanário tem uma altura considerável e acima dos sinos encontra-se um vistoso ninho de cegonha.
 Da igreja consegue-se ver os rochedos das Portas de Ródão e o casario da aldeia, tipicamente alentejano, com portados amarelos e azuis e ruas estreitas.

Arneiro é também conhecida por ser uma povoação piscatória.
Aliás, quando se chega, deparamos com uma rotunda que tem no centro um barco tradicional desta zona do Tejo, um picareto. 
O sr. Jaime é um dos últimos artesãos que constrói e repara este tipo de embarcações e vive no Arneiro.

Encontram-se alguns picaretos no cais fluvial, junto ao Tejo.

Fica a menos de 1km da povoação e o acesso é por uma estrada alcatroada.
 No largo onde se deixam os carros, há um anexo onde se lê um aviso sobre o horário do barqueiro. Está sincronizado com a paragem do comboio na estação, que fica do outro lado do rio e possui um cais fluvial para fazer o transbordo de passageiros para o Arneiro.
No cais há apetrechos de pesca e também barcos de recreio.
Numa das margens, várias filas de oliveiras sobem pela encosta. O Tejo domina a paisagem com uma larga extensão de rio a cobrir o horizonte.

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