A sala de costura da Dona Celeste

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Dona Celeste é costureira há 65 anos. Faz roupa de todos os tamanhos, de uma grande diversidade de tecidos e é conhecida por fazer os trajes regionais que vestem os ranchos da região e até em França.

Celeste trabalha em Sequeiro no alto da Serra da Gralheira, na fronteira entre os distritos de Viseu e de Aveiro. Uma região muito influenciada pelo litoral porque era aqui e na aldeia vizinha de Malhouce que pernoitavam os almocreves que vinham do Porto e vendiam os seus produtos em Viseu.

Casa do Alves
Casa do Alves

A casa onde vive é fácil de descobrir porque tem um arco com o nome Casa do Alves.
Visitar a sala de costura, ou na linguagem moderna, o seu atelier, é descobrir um mundo fantástico de trajes regionais.

Celeste a fiar a lã na sua sala de costura
Celeste a fiar a lã na sua sala de costura

É uma diversidade quase sem fim de roupas que ela faz para vender e a maioria são encomendas.

Conforme ela diz, não tenho diploma de nada mas faço um pouco de tudo”. Faz “fardas para o rancho, roupa de chita como se usava antigamente, chapéus cobertos, chapéus de trabalho, aventais, camisas tradicionais, cuecas de gola alta....
Ao lado tem mantas tradicionais de lã e mostra como fia a lã de ovelha.


Produziu muitos tecidos em lã, “não tem conta o que fiz, roupa de burel, lã para a cama, para as meias…”.
Agora já não faz muita roupa em lã nem fia – parti os dois braços – e os 79 anos de idade começam a ter os seus efeitos. Por outro lado, também já desapareceram os cardeiros que andavam de porta em porta a cardar a lã. É um trabalho demorado e exige muita agilidade, uma manta demora um dia e tal, temos de urdir 12 fios de cada vez.

Foi em casa que aprendeu. A avó era costureira e a mãe tecia. Muito cedo, ao 14 anos começou a trabalhar e passados 65 anos de costureira ainda exerce a profissão com imensa alegria.

Dona Celeste a trabalhar na máquina de costura
Dona Celeste a trabalhar na máquina de costura

Quando a visitei estava sentada em frente da máquina de costura. A luz natural entrava pela janela e destacava uma velha Oliva. Tudo em redor estava ocupado com peças de roupa, a maior parte encomendada e para ranchos folclóricos.


A nora é a Sandra que faz queijo e manteiga de forma artesanal. O que produz é para consumo próprio e todo o trabalho exige tempo e dedicação.
Isabel Silvestre, vizinha em Manhouce e a voz de “Pronúncia do Norte” elogia muito a qualidade desta manteiga.

Sequeiro
Sequeiro

Sequeiro vive quase exclusivamente da agricultura, muitas casas são de pedra e mantêm o telhado em lousa. A povoação tem cerca de uma centena de habitantes, há muitos emigrantes e faz parte do concelho de S. Pedro do Sul.

A sala de costura da Dona Celeste faz parte do podcast semanal da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e pode ouvir aqui. A emissão deste episódio, A sala de costura da Dona Celeste, pode ouvir aqui.

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