Os cantoneiros que embelezavam as estradas portuguesas

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O Parque Botânico Arbutus Terras do Demo recupera antigos viveiros da Junta Autónoma de Estradas (JAE) e preserva dezenas de espécies de plantas que estão em extinção.

Em muitas estradas de Portugal as bermas são definidas por filas de árvores ou arbustos. Foram plantadas por cantoneiros da Junta Autónoma de Estradas.
Ainda há poucas décadas se viam alguns a abrir e a limpar as bermas nas estradas nacionais.

Casa de cantoneiros
Casa de cantoneiros

O cantoneiro é hoje uma profissão em extinção e também desapareceram os viveiros de plantas que depois eram transplantadas para as bermas das estradas. Em cada distrito havia um viveiro de plantas da JAE e muitos deles ficaram ao abandono.


Foi o que sucedeu em Queiriga, próximo de Vila Nova de Paiva.

As referências ao Viveiro da Queiriga
As referências ao Viveiro de Queiriga

Os viveiros e a casa do cantoneiro estiveram anos ao abandono, com mato e árvores a crescer por todo o lado. De tal forma que, na luta pela sobrevivência, vários medronheiros tiveram de crescer muito mais do que o habitual para conseguirem alcançar o sol.

Arbutus - medronheiros que cresceram mais do que o habitual para terem sol
Arbutus – medronheiros que cresceram mais do que o habitual para terem sol

Técnicos da Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva e da Escola Superior Agrária de Viseu depararam-se com este cenário quando as duas instituições desenvolveram um projecto de revitalização dos viveiros, transformando-o num parque botânico. Destacavam-se de tal forma que ficaram na designação do Parque Arbutus, o nome científico do medronheiro.

Entrada do Parque
Entrada do Parque

O Parque chama-se ainda Terras do Demo em homenagem a Aquilino Ribeiro que descreveu esta região como Terras do Demo. No Jardim das Tormentas falava até num jardim no deserto.

Várias espécies no pomar
Várias espécies no pomar

O Parque é ainda mais invulgar porque em todas as áreas temáticas há um traço comum: diversidade. De espécies, de cores e de formas. Não se estranhe, assim, que no pomar todas as árvores são diferentes, não há repetição de espécies. A ideia foi desenvolver diversidades regionais e também ser um estímulo para as visitas, em particular de pessoas com deficiências.

Numa área, chamada de “quadrado central” há 860 espécies e a maioria são mediterrânicas.

O parque está divido em várias áreas
O parque está divido em várias áreas temáticas

Alexandra Campos, técnica do Parque Botânico, destaca uma outra área temática que é a preservação e o papel que pode desempenhar na sensibilização ambiental. Fizeram o inventariado de todas as espécies que estão em extinção (e ainda são muitas) e transplantaram-nas para o Parque.

Por último, foram criadas várias rotas para visitar o Parque, como são exemplo a Ciência e a da Literatura.

Centro Interpretativo
Centro Interpretativo

O Parque Botânico Arbutus Terras do Demo foi inaugurado em 2008, é muito procurado pelas escolas e a Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva está também a desenvolver um projeto para aproveitamento da “Casa do Cantoneiro”, um conjunto de pequenas habitações à entrada do Parque.

Os cantoneiros que embelezavam as estradas portuguesas faz parte do podcast semanal da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e pode ouvir aqui.
A emissão deste episódio, Os cantoneiros que embelezavam as estradas portuguesas, pode ouvir aqui

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