Estarreja: o museu de arte urbana a céu aberto

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O circuito de arte urbana em Estarreja é um caso de paixão. Pela forma como começou, com Bordalo II a criar o guarda-rios, pela receptividade acima das expectativas logo na primeira edição do festival de arte urbana, pela ligação apaixonada das obras com a realidade local e pelo envolvimento de idosos que também foram para a rua criar o seu próprio mural.

São mais de 20 obras de arte pública que estão no centro da cidade e que se espalham até à Ria e Avanca, terra natal de Egas Moniz e onde dois brasileiros evocam num mural o português que foi Prémio Nobel da Medicina.

O percurso dos murais e instalações começa na saída da estação de comboios e vamos deparar com o retrato de Vhils  da Dona Florinda.

Vhils - D. Florinda ©Câmara Municipal de Estarreja
Vhils – D. Florinda ©Câmara Municipal de Estarreja

É uma das poucas pessoas que ainda cultiva o arroz de forma tradicional no baixo Vouga. Segundo Isabel Simões Pinto, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Estarreja, procura-se com o mural chamar a atenção para a necessidade de se preservar esta prática do cultivo do arroz que foi muito relevante nesta região.

Camillla Watson “Memórias” ©Câmara Municipal de Estarreja
Camillla Watson “Memórias” ©Câmara Municipal de Estarreja

Segue-se um trabalho da fotógrafa Camila Watson que reside em Portugal há 10 anos. Esteve numa residência artística e também trabalhou o tema do cultivo e a descasca do arroz. Há nas proximidades uma fábrica que vai ser transformada em museu e o trabalho da fotógrafa inglesa incide nos testemunhos ainda vivos da laboração da fábrica.

André da Loba “Metamorfose” ©Miguel Oliveira
André da Loba “Metamorfose” ©Miguel Oliveira

Estes dois trabalhos, a par de muitos outros, estão relacionados com a cultura, as pessoas e o património paisagístico do concelho de Estarreja.
A Câmara Municipal ao promover o ESTAU, o Festival Estarreja Arte Urbana, pretende que exista um profundo diálogo entre os artistas e a realidade local.

Ana Maria "Peixe" ©Câmara Municipal Estarreja
Ana Maria “Peixe” ©Câmara Municipal Estarreja

O ESTAU teve em Setembro a segunda edição e esta característica de estar relacionado com o contexto local faz com que o legado continue a envolver de modo positivo a população do concelho.
A receptividade a estes eventos tem provocado uma forte paixão, quer dos artistas quer do público que tem assistido aos festivais.. Até surpreendeu a organização.

Os dois festivais têm promovido a criação de murais, instalações, workshops, filmes, palestras, visitas guiadas e música. Na edição deste ano marcaram presença Akacorleone (Portugal), Ana María (Porto Rico), Halfstudio (Portugal), Manolo Mesa (Espanha), Mohamed L’Ghacham (Marrocos), The Empty Belly (Portugal) e Vhils (Portugal) .

LATA 65 Workshop os idosos ©Câmara Municipal Estarreja
LATA 65 Workshop os idosos ©Câmara Municipal Estarreja

A organização também desafiou os idosos de Estarreja a participarem e a criarem o seu próprio mural.

Bordalo II “Guarda-Rios” ©Câmara Municipal de Estarreja
Bordalo II “Guarda-Rios” ©Câmara Municipal de Estarreja

Tudo começou com um outro evento. A Observaria que pretende divulgar o turismo de natureza e a observação de aves. Para este evento convidaram Bordalo II que criou um guarda-rios, uma ave muito frequente nesta região. A receptividade foi de tal forma positiva que decidiram aprofundar a relação entre a arte urbana e o património local. No ano seguinte, em 2016, já estava em execução a primeira edição do ESTAU.

As mais de 20 obras resultantes das duas edições são de visita livre. Pode também ser feita marcação prévia para se ter mais informação e o acompanhamento de um guia.
O formulário, a informação sobre o roteiro, título e localização das obras e artistas está disponível aqui. Folhetos com o mapa do roteiro podem ser solicitados no edifício da Câmara, Biblioteca ou Casa da Cultura, que se situam na Praça Francisco Barbosa.

Referência a Egas Moniz: The Empty Belly “A nossa casa” ©Câmara Municipal Estarreja
Referência a Egas Moniz: The Empty Belly “A nossa casa” ©Câmara Municipal Estarreja

Egas Moniz era um apaixonado pela arte. À porta da casa que habitou em Estarreja, ainda hoje podemos ler: as grandes escolas das Artes plásticas são os Museus. Quisera um em cada cidade, em cada vila e em cada aldeia para que o povo se elevasse na comunhão espiritual do Belo.
Este é lema porque Estarreja quer ser um Museu de arte urbana a céu aberto.

Estarreja: o museu de arte urbana a céu aberto faz parte do podcast semanal da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e pode ouvir aqui.
A emissão deste episódio, Estarreja: o museu de arte urbana a céu aberto, pode ouvir aqui.

 

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