Sino de Coruche é o mais antigo em Portugal

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Começamos a fazer contas. Actualmente Portugal tem mais de 3 mil freguesias. Se em cada uma existir, pelo menos, uma igreja e duas capelas, teremos em Portugal cerca de 9 mil sinos a dar as horas.
Em alguns locais fazem mais do que isso: avisam, dão o alerta e antes marcavam o principio e o fim da jornada de trabalho.


Os sinos estão muito associados ao cristianismo e apesar de serem fabricados em Portugal há pelo menos um milénio, o sino mais antigo que temos é do século XIII.

O sino mais antigo de Portugal
O sino mais antigo de Portugal

Está no Museu Municipal de Coruche e seguindo a explicação da diretora, Cristina Calais, rapidamente percebemos que se trata de um sino histórico. O sino estava no campanário da Igreja de São Pedro, tem a inscrição de 1287 e através de um trabalho cientifico foi possível reconstituir o som original.

Pode-se ouvir o som original
Pode-se ouvir o som original

O sino foi encontrado numa cripta que estava ao lado da igreja. Estava junto a ossadas de cerca de 50 pessoas e atribui-se o seu depósito neste lugar como uma forma de sacralizar o espaço.

Desenho da cripta
Desenho da cripta

O sino é também conotado como o condutor das almas.
Apesar desta conotação, não é habitual os sinos serem colocados em cemitérios.

A descoberta no decorrer do trabalho arqueológico
A descoberta no decorrer do trabalho arqueológico

A quase totalidade dos sinos danificados eram refundidos e talvez este seja um dos motivos porque não encontramos sinos muito antigos.

O de Coruche não é grande, tem cerca de 30 cm de altura e 22 cm de diâmetro da boca. À semelhança de outros sinos desta época medieval tem uma inscrição da cruz e de um pentagrama, um símbolo com origem na estrela salomónica e representa a boa sorte e proteção mágica. O sino é constituído maioritariamente por cobre (76%) e estanho (21%).

Inscrições no sino
Inscrições no sino

Em quase toda a Europa a fundição artesanal de sinos teve uma queda significativa após a Segunda Guerra Mundial. Em Portugal foi muito mais tarde. Actualmente sobrevivem apenas duas fábricas sineiras, uma em Braga e outra em Rio Tinto.

Objectos encontrados na cripta
Objectos encontrados na cripta

No Museu Municipal de Coruche além dos sinos pode ver ainda outros objectos que estavam na cripta como moedas, jarras de cerâmica e telhas. Todo este material terá sido depositado numa trasladação, provavelmente após a destruição da igreja de S. Pedro no terramoto de 1531.
A galeria do sino faz parte da Exposição O Céu, a Terra e os Homens que a partir do sagrado conta a evolução desta região, em particular de Coruche.

Peças decorativas em exposição
Peças decorativas em exposição

Estão em exposição vários artefactos e a exposição termina com a projeção do futuro, a descoberta do espaço, com uma das componentes do Space Shuttle ser uma referencia local: a cortiça.

Capela de S. Pedro onde esteve o sino
Capela de S. Pedro onde esteve o sino

Para quem ficou com curiosidade sobre a história dos sinos e a sua produção em Portugal pode consultar aqui a obra História da fundição sineira em Portugal, de Luis Sebastian. É um estudo realizado em 2008 e tem o apoio da Câmara Municipal de Coruche.
Sino de Coruche é o mais antigo em Portugal faz parte do podcast semanal da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e pode ouvir aqui.
A emissão deste episódio, Sino de Coruche é o mais antigo em Portugal, pode ouvir aqui.

O Vou Ali e Já Venho tem o apoio:Af_Identidade_CMYK_AssoMutualistaAssinaturaBranco_Baixo

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