O fecho do Museu da República e da Maçonaria

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O último dia do ano marca o encerramento de um museu ao público.
Fica em Troviscais, no concelho de Pedrógão Grande e tem um acervo singular e quase único em Portugal porque é o Museu da República e da Maçonaria.
O museu está aberto ao público hoje pelo último dia. No próximo ano o acesso é apenas a “irmãos” maçons e Lojas maçónicas, quaisquer que sejam as Lojas e Obediências interessadas.

©Museu da República e da Maçonaria
©Museu da República e da Maçonaria

Há cerca de duas décadas que o Museu está em atividade e é uma iniciativa de Aires Henriques que laboriosamente se dedica a recolher, recuperar e expor algum material que estava disperso. Muito por culpa da proibição da Maçonaria em 1935 e pelas ofensivas sidonistas e em alguns momentos do Estado Novo contra alguns núcleos maçónicos.
Nesta recolha, em alguns casos, ele próprio ficou surpreendido com o que encontrou, como foi o caso de uma pessoa da Ericeira que o contactou. “Fui descobrir um acervo que é a vida maçónica no Grande Oriente Lusitano de um oficial do exército, Joaquim Maria Oliveira Simões que, na prática, nos anos 30, foi o Grão Mestre da Maçonaria, depois da retirada de António José de Almeida por doença.

©Museu da República e da Maçonaria
©Museu da República e da Maçonaria

Segundo Aires Henriques o Museu da República e da Maçonaria “é atualmente o mais significativo a nível nacional no seu género, a avaliar pelas sucessivas visitas de técnicos e requisições de materiais para documentarem exposições” organizadas pelo Palácio de Belém, autarquias e Rede Portuguesa de Museus, entre outras entidades.”
Amigos e “irmãos” facultaram-lhe objectos e documentos que permitem a criação de uma base de estudos e documentação. Por outro lado, ajudam a perceber alguns períodos da história portuguesa e de factos pouco conhecidos e que, por exemplo, ele relata a partir de um “cartão de pobre”, uma das peças que Aires Henriques considera muito significativa em termos documentais. O cartão era de 1939 e tem a fotografia de uma senhora com cerca de 80 anos de idade. O “cartão de pobre” era para garantir que as pessoas não passavam fome. No entanto, quando do período da guerra civil espanhola muitos alimentos eram descarregados no porto de Lisboa e seguiam diretamente para Espanha e os portugueses estavam privados desses alimentos e passavam fome.

©Museu da República e da Maçonaria
©Museu da República e da Maçonaria

O fecho do Museu não significa o fim de uma história fraterna. No entanto, há o risco do património ser deslocado para outros concelhos que mostrem receptividade em utilizar as centenas de peças num espaço de divulgação do republicanismo e atividades maçónicas. Aires Henriques escreveu recentemente que  “o espaço museológico, que funciona no rés-do-chão da Torre da Princesa Peralta, um imóvel neomedieval construído com diversos materiais recuperados pelo dono, vai encerrar como previsto na segunda-feira, 31 de dezembro, sem ter ainda assegurada uma solução de futuro.” O proprietário, tem 71 anos de idade, gostaria ainda que a coleção não fosse separada.
Pedrógão Grande tem uma marca muito forte na história da maçonaria e da implantação da República em 1910. Uma delas, a Loja Acácia era uma das maiores, a par da Montanha e teve uma participação activa na Revolução que implantou a República. Dos nove fundadores, quatro eram de Pedrógão Grande. Todos eles eram comerciantes.

A emissão deste episódio, O fecho do Museu da República e da Maçonaria, pode ouvir aqui.

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