Bordar com casca de castanha

A utilização da casca de castanha em bordados já tem alguma tradição. Há quadros no museu de Marvão que são do século XIX que o provam.

As cascas são justapostas ao linho através de linhas e produzem um efeito decorativo invulgar.As cascas são usadas nos dois lados e por vezes sobrepostas. Deste modo consegue-se um efeito de contraste entre o castanho escuro e os tons mais claros.
Ainda há artesãs em Marvão que dão continuidade a este saber que é transmitido de geração em geração.

Ana Lúcia Carrilho
Ana Lúcia Carrilho

Ana Lúcia Carrilho também aprendeu a fazer. Trabalha o linho com cuidado e o corte da casca de castanha com a tesoura também requer muita técnica para se conseguir, por exemplo, um desenho floral.
site_ana_bordado_castanha_0660A altura do ano e a humidade são também relevantes na produção dos bordados.

site_bordado_castanha_0650Na altura do calor é mais difícil. Convém humedecer a casca para ganhar flexibilidade e também ter cuidado para não sujar o linho. Pode parecer que a casca da castanha se degrade ao fim de algum tempo mas consegue-se evitar a erosão. Conforme diz Ana Lúcia Carrilho “os quadros no museu provam a sua longevidade.”
site_bordado_castanha_0659Os quadros mais antigos são reveladores também de outra utilização no passado e que entrou em desuso conforme recorda Felicidade Tavares do Turismo de Marvão: “eu queria oferecer-lhe uma prenda. Utilizava uma fotografia minha ou sua e era emoldurada com o bordado.”

Parte do bordado em exposição no Museu de Marvão
Parte do bordado em exposição no Museu de Marvão

No Museu de Marvão encontra-se um quadro antigo onde se revela esta utilização.
Na Casa da Cultura de Marvão também podemos ver vários quadros. O trabalho minucioso feito por algumas artesãs. Os quadros mais pequenos são quase todos com temas florais. Aqui também vendem e o preço ronda os 25 euros.

Bordado na Casa da Cultura de Marvão
Bordado na Casa da Cultura de Marvão

Os quadros maiores são produzidos por encomenda porque levam vários dias a fazer.
Em contacto, por exemplo com o Turismo de Marvão, é possível agendar com artesãos para ver como se faz. Diz Felicidade Tavares que “há uma nova geração que está a inovar e a reinventar os bordados e é possível assistir ao vivo  e ver como se faz.”
site_bordado_castanha_0667A forma tradicional, no ambiente familiar, e que está na origem do ritual, já não existe. “Já data das nossas avós e bisavós em que, outrora à luz do candeeiro, tiravam as cascas das castanhas que comiam assadas nos magustos ao lume, em conversas de serão. Depois, muito calmamente iam bordando. Tiravam a casca, humedeciam, cortavam e depois aplicavam num tecido.”
site_bordado_castanha_0643A abundância da castanha nesta zona do Parque Natural da Serra de S. Mamede também ganhou gosto na gastronomia. Antes da batata era a base do puré e mais recentemente teve uma versão na doçaria.

Pastel de castanha
Pastel de castanha

É o pastel de castanha. Parece uma barcaça que no centro guarda um creme feito de castanha.

Felicidade Tavares
Felicidade Tavares

Bordar com casca de castanha faz parte do programa da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

O Vou Ali e Já Venho tem o apoio:Af_Identidade_CMYK_AssoMutualistaAssinaturaBranco_Baixo