O Museu de Arte Sacra de Arouca e da monja que escondeu as peças

O Museu de Arte Sacra do Mosteiro de Santa Maria de Arouca é um dos mais relevantes em Portugal.
site_cabecalho_arouca_museu_DSCF2634Segundo Carlos Teixeira de Brito, o Juiz da Real Irmandade Rainha Santa Mafalda de Arouca, depois da Fundação Gulbenkian, “é o que tem a maior coleção privada de arte sacra em Portugal.”. O acervo distingue-se não só pela quantidade mas também pela qualidade.
site_arouca_museu_DSCF2636“É muito rico. Podemos encontrar pinturas dos séculos XV ao XVIII, esculturas dos séculos XIV ao XVIII, 26 livros em pergaminho, livros de música dos séculos XIII a XVIII e ourivesaria também entre os séculos XIII e XVIII.

Carlos Teixeira de Brito foi o nosso guia pelo Museu em que uma parte substancial está localizado nas celas das monjas do antigo mosteiro feminino.
site_arouca_museu_DSCF2650Outro dado interessante é que esta coleção conseguiu ser preservada porque foi escondida por uma freira após a extinção das Ordens religiosas em 1834. “A irmandade foi criada em 1876, após a morte da última monja. Foi autenticada por alvará régio de D. Luís I e ficou a seu cargo todo o espólio artístico do Mosteiro.
site_arouca_museu_6009Arouca é um caso único em todo o país porque manteve praticamente todas as obras de arte. Exceto o mobiliário que foram vendendo ao longo dos tempos.

Claustros do Mosteiro
Claustros do Mosteiro

Mas ficaram as obras de escultura, pintura e ourivesaria. Foram escondidas pela última monja e pela criada do Mosteiro, Rosa do Sacramento”. Ainda no testemunho de Carlos Teixeira de Brito, Alexandre Herculano, que andou por antigos conventos com o objetivo de salvaguarda de algum desse património, “na altura esteve aqui e levou livros e pergaminhos para o arquivo da Torre do Tombo e para a Universidade de Coimbra.”
site_arouca_museu_DSCF2637As coleções do Museu de Arte Sacra do Mosteiro de Santa Maria de Arouca têm muitas obras de arte. Algumas são da autoria de artistas portugueses ou que desenvolveram a sua atividade em Portugal, como por exemplo, João de Ruão, Diogo Teixeira, Josefa d’Óbidos, Bento Coelho, André Gonçalves e José Francisco de Paiva.
site_arouca_museu_6029Ao serem vistas num ambiente monástico as obras adquirem maior vivacidade. Carlos Teixeira de Brito destaca uma escultura de S. Pedro, do século XV, do mestre João Afonso, da escola coimbrã. “É talvez um dos mais bonitos exemplares da escultura gótica portuguesa.

Relicário de ouriversaria pertencente a D. Mafalda
Relicário de ouriversaria pertencente a D. Mafalda

Temos também antifonários que são considerados dos melhores da Europa e ourivesaria do tempo de D. Mafalda e do reinado de D. Manuel I.” Algumas destas peças são surpreendentes pelo detalhe, os materiais utilizados e o estão de conservação.
site_arouca_museu_6027O Museu foi fundado em 1933 e foi remodelado há cerca de meio século. A visita integra outras partes do enorme mosteiro que também causam admiração.

A cozinha
A cozinha

É o caso da enorme cozinha com uma chaminé descomunal. Fascinante é o coro-alto. O cadeiral é enorme. A madeira está toda trabalhada e atrás, as paredes estão revestidas com talha dourada e pinturas.

Cadeiral e decoração do coro-alto. Ao fundo a grade que separa da igreja
Cadeiral e decoração do coro-alto. Ao fundo a grade que separa da igreja

Tudo com grande requinte, ostentação e prazer de ouvir um dos maiores órgãos em Portugal. Uma grade separava as monjas da igreja, do cidadão comum.

Igreja do Mosteiro
Igreja do Mosteiro

Não era apenas uma separação de devotos. Era também uma divisória de poder económico porque durante muitos anos o mosteiro foi local de recolhimento de muitas filhas da nobreza abastada. “Só vinham para aqui as filhas da alta nobreza portuguesa. Nem todos professaram.

Retrato invulgar da Rainha Santa Isabel
Retrato invulgar da Rainha Santa Isabel

A rainha Mafalda nunca chegou a ser freira. Havia senhoras que vinham para aqui por opção, traziam um rico enxoval, criadas e viviam aqui em comunidade.”

Tumulo de D. Mafalda. A urna em pedra onde foram retirados os restos mortais que estão na parte superior.
Tumulo de D. Mafalda. A urna em pedra onde foram retirados os restos mortais que estão na parte superior.

Uma das primeiras foi D. Mafalda, filha de D. Sancho I e neta de Afonso Henriques. Reconhecida como rainha de Espanha, pouco tempo depois recolheu-se no mosteiro, em 1216. Introduziu a regra de Cister. No século XVIII foi beatificada pelo Papa Pio VI e o seu corpo está na igreja.
site_arouca_museu_DSCF2648O declínio foi com a extinção das ordens religiosas e a última freira morreu em 1886.
Durante estes seis séculos o rendimento das propriedades e os bens das freiras permitiu a aquisição destas obras de arte que são também o testemunho da vida monástica da alta nobreza.site_arouca_museu_6002 Por outro lado, constitui também um acervo que se foi acumulando dentro de portas, não se perdeu ou foi pilhado, como sucedeu em outros mosteiros, e que chega quase intacto aos dias de hoje.

Túmulo em prata de Santa Teresa, irmã de mafalda, no Mosteiro de Lorvão
Túmulo em prata de Santa Teresa, irmã de mafalda, no Mosteiro de Lorvão

As outras irmãs de Mafalda também foram beatificadas e os túmulos estão no Mosteiro de Lorvão.
site_arouca_museu_6020O Museu de Arte Sacra de Arouca e da monja que escondeu as peças faz parte do programa da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

O Vou Ali e Já Venho tem o apoio:Af_Identidade_CMYK_AssoMutualistaAssinaturaBranco_Baixo

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