Almeida – a fortaleza do tempo

Almeida mantém-se como uma vigorosa fortaleza.  No passado, a estrutura em hexágono protegia da guerra, dos invasores espanhóis e franceses. Hoje, a muralha preserva a identidade e um fabuloso património.
site_almeida_DSCF1818Almeida fica numa zona plana e só temos uma perceção clara da vila quando nos aproximamos da praça-forte.
As elevações, os canhões, o enorme fosso… remetem-nos de imediato para a ideia de que estamos perante algo imponente.

Porta de S. Francisco
Porta de S. Francisco

Essa ideia transforma-se em certeza quando paramos em frente da Porta de S. Francisco ou da Cruz. A robustez da pedra, a arte do brasão logo acima da entrada para o túnel, o efeito do “picotado” nas pedras e nas colunas, o ar frio do granito da vigia que está no vértice da estrutura e, por fim, a beleza das várias tonalidades da pedra e do musgo a brilharem com o sol, fazem da porta um dos ícones da fortaleza.
site_almeida1jUma primeira impressão fiel do que vamos encontrar no interior.
O túnel tem alguns metros de comprimento e uma ligeira curva. É inteligente para uma estrutura defensiva e eficaz também na atualidade porque funciona como uma cortina no tempo. Passar para o interior é ir ao encontro de quase quatro séculos de história.
site_almeida4vAté há pouco tempo era também labiríntico para o transito. “Antigamente era o ponto de passagem para quem entrava e saía o que, por vezes, obrigava alguns a recuar porque o caminho no túnel é estreito”, relata-nos Arminda Queimada. Agora é só local de entrada na Fortaleza, porque foi aberta uma passagem maior.
site_almeida4rAs ruas e os espaços mais largos mantêm uma organização antiga. Muitas casas preservam a estrutura original com uma porta para o primeiro piso de habitação e a porta maior para a loja de comercio ou de artesãos.
site_almeida2hDiz a senhora Arminda Queimada, que reside há quase 8 décadas no interior da vila, que Almeida tinha muitos artesãos, “havia barbeiro, sapateiro, alfaiate… Agora já não arranjam sapatos e se quiser mandar arranjar um vestido também já não há.”
site_almeida2fArminda Queimada acrescenta que no interior da fortaleza vivem poucas pessoas e com alguma idade porque “os mais novos vão para os bairros que ficam no exterior. Dentro da muralha é mais sossegado. Há é muitos visitantes. Estrangeiros e portugueses. A vila é muito importante, a gente de cá é que já não liga.”
site_almeida2bA arquitetura civil mantém-se fiel. Não sofreu grandes alterações e ajuda a recriar o imaginário de se viver no interior de uma fortaleza secular.
site_almeida_rui_DSCF1798O que mais impressiona é a arquitetura militar. Em alguns casos de forma surpreendente. Dos vários exemplos possíveis, refiro o do atual Museu Histórico Militar. Fica no Baluarte de S. João de Deus, numa das “pontas da estrela” e antes servia de caserna, com vinte casas subterrâneas.

Teto do Museu Militar
Teto do Museu Militar

Visitar este espaço interior é muito interessante, mas o que mais impressiona é andar na muralha e ver os tetos de pedra – pedaços enormes – do Baluarte onde estão as casas subterrâneas.

“Aquilo é digno de se ver. Antigamente não tinha luz elétrica e a iluminação era com candeeiro a petróleo. Agora está toda iluminada. É um edifício muito bonito”, diz com gosto Arminda Queimada que estava a fazer um passeio na muralha ao final da tarde.

Arminda Queimada
Arminda Queimada

Uma volta em redor da vila. A esta altura e com sol é acrescida a beleza do reflexo dourado da luz nas pedras.

Teto da porta de S. Francisco
Teto da porta de S. Francisco

Das muralhas temos também uma vista diferente do casario e vale a pena percorrer o teto da porta de S. Francisco.
Temos uma noção mais concreta da extensão do Quartel das Esquadras.

Centro de Estudos de Arquitetura Militar.
Centro de Estudos de Arquitetura Militar.

Outra área interessante de percorrer a pé é entre o Picadeiro e as ruínas do castelo. A vista é ampla, em particular na direção do extremo onde está o Centro de Estudos de Arquitetura Militar.
site_almeida3lÉ por aqui que fazem a reconstituição histórica do cerco a Almeida na III Invasão Francesa em 1810. “Habitualmente vem muita gente. Eu até fico encantada quando vejo lá em baixo muita gente.”

Ruínas do castelo
Ruínas do castelo

As ruínas do castelo projetam uma outra sensação: de como teria sido violenta a explosão do paiol, em 1810, quando da terceira invasão francesa. A explosão destruiu o castelo e esteve na origem da rendição aos invasores.
A torre que agora sobressai é a do relógio e que estava associada à desaparecida Igreja Matriz.  “Foi onde encontraram parte da estátua da Senhora das Neves que reúne grande devoção em Almeida, apesar de não ser a padroeira.”

A janela que dá para a roda
A janela que dá para a roda

Almeida tem também uma Casa da Roda. Era onde as mães depositavam os recém-nascidos porque não podiam ou não queriam ficar com eles. Como era habitual esta casa está num sítio muito discreto.

Arminda Queimado
Arminda Queimada

Almeida – a fortaleza do tempo faz parte do programa da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

Ver Roteiros no concelho de Almeida

O Vou Ali e Já Venho tem o apoio:Af_Identidade_CMYK_AssoMutualistaAssinaturaBranco_Baixo

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