Provar as afamadas bolas de Berlim do “capitão Natário” em Viana do Castelo

A pastelaria Manuel Natário de Viana do Castelo chega a vender, no Verão, cerca de mil Bolas de Berlim por dia. Jorge Amado e a mulher preferiam o pão de ló. O escritor criou um personagem num romance inspirado no proprietário da pastelaria, Manuel Natário.
A Bola de Berlim é o bolo preferido dos clientes da pastelaria Manuel Natário, no centro histórico de Viana do Castelo. Mas começamos pelo pão de ló Jorge Amado, que até o podemos saborear no salão que tem o nome do escritor e da sua mulher, Zélia Gattai.
O pão de ló do Natário era uma perdição para o casal. Fernanda Natário confirma que “eles gostavam do pão de ló e de mais coisas. Fizemos amizade e falávamos de vez em quando. Eram muitas boas pessoas.”
A relação de amizade ficou imortalizada na literatura com Jorge Amado a criar um personagem no romance Tocaia Grande. É o Capitão Natário, “capitão de doces e salgados, comandante do pão-de-ló, mestre do bem comer.” No salão que é dedicado ao casal está uma placa com a inscrição “Sala Zelia Gattai e Jorge Amado, uma homenagem do ‘capitão Natário”.
Podemos ainda ver várias fotografias de Manuel Natário em convívio com o casal.
Fernanda Natário, a segunda mulher de Manuel Natário, conheceu mais cedo Jorge Amado. Quando vivia em Paris. Na juventude foi cliente da confeitaria que já estava instalada na rua Manuel Espregueira, no centro histórico de Viana do Castelo.
A pastelaria Manuel Natário terá mais de 80 anos e nas memórias de Maria Fernanda Natário, tem ainda muitas semelhanças com os dias de hoje.
“Quando vinha aqui era só esta parte. Fui para Paris e, passados alguns anos, já havia o salão ao lado que pertence a outro prédio. O mobiliário é o mesmo. Ele próprio me dizia que, quando morresse, eu não devia mudar o mobiliário. Devia deixar tudo na mesma. Assim fiz. Depois dele falecer alguns clientes disseram-me o mesmo, para eu não alterar.
A casa costuma ter a visita de muitas celebridades e adoram estarem sentados nestas cadeiras antigas, verem a garrafeira…”
Quando conversei com Fernanda Natário estava sentada no mesmo lugar onde habitualmente Manuel Natário conversava com os clientes mais próximos. Cadeiras de madeira de cor escura, com forro branco, semelhante às cores das mesas.
O ambiente calmo e de conversa amena no salão, em alguns momentos, não corresponde à agitação no balcão, com o movimento das Bolas de Berlim. “É uma loucura a procura pelas Bolas de Berlim. Vendem-se durante todo o ano e nos meses de verão quase que chega às mil unidades por dia”.
Nos restantes meses do ano, vendem algumas centenas de Bolas de Berlim por dia. Têm a particularidade de levarem canela o que lhes dá um sabor e cor diferente.
Toda a doçaria é produzida na casa. Há uma grande variedade de bolos e biscoitos.
O saber fazer da doçaria tradicional é transmitido internamente. “Desde que vim para a pastelaria já conheci duas equipas. Os pasteleiros reformaram-se e criou-se uma equipa nova. Os que estavam passaram o conhecimento aos mais novos e não houve diferença. Os clientes nem notaram a mudança.”
O ambiente, a decoração interior, o saber fazer e a qualidade são as armas do Capitão Natário que projetam a notoriedade da confeitaria muito para além de Viana do Castelo.
Provar as afamadas bolas de Berlim do “capitão Natário” em Viana do Castelo faz parte do programa da Antena1 Vou Ali e Já Venho e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.