O grandioso Castelo Novo

Ponto prévio: Castelo Novo tem um impressionante enquadramento natural mas parte da riqueza paisagística foi recentemente destruída com os incêndios.
No entanto, continua a ser de visita obrigatória devido ao seu espantoso património histórico. O casario e o património histórico mantêm a sua traça original, mesmo que caia de pé, como as ruínas do Castelo que há cerca de 800 anos vigiam o longo planalto beirão.

A Serra da Gardunha abraça a aldeia com o cume rochoso.
Foi a serra que deu o granito para as casas. que garantiu a economia auto sustentável e deu a madeira para aquecer as habitações no inverno.

Ainda há um mês, antes de chegar o fogo, a ribeira corria pelo meio da encosta toda verde e contagiava de frescura o vale e até se transformava em praia fluvial.
Com os incêndios esta descrição só será válida, talvez daqui a meia dúzia de anos.

No Miradouro das Alminhas contempla-se parte deste cenário natural, com a encosta e pequenas cascatas de água. No lado contrário está o Cruzeiro e o Cabeço da Forca que nos querem intimidar com o nome e a função de vigia que desempenham.

O melhor miradouro é sem dúvida o Castelo, no ponto mais alto da aldeia, junto à Torre de Menagem. Consegue-se ver Monsanto e pelo meio o vale da Gardunha.
Mais próximo, o cenário é o casario de Castelo Novo, com casas de granito extraído da serra e quase todas recuperadas. As ruas são estreitas e serpenteiam a encosta.

O Castelo é do inicio do século XIII , já foi palco de muitos conflitos e as ruínas evidenciam que há muito passou o tempo em que desempenhava um papel estratégico na defesa do reino. Ao lado está a Igreja Matriz numa verdadeira manifestação de como a fé andava junto com a guerra.

O foral revela também um passado grandioso e um presente de preservação. Todo o largo do Paço do Concelho está bem cuidado e ilustra o bom gosto e o fausto da nobreza nos séculos XVI e XVIII, por exemplo, através dos pormenores do Chafariz de D. João V.

Há mais fontes de água na povoação. Quase em todos os largos há um chafariz, reforçando o cognome de Fonte da Gardunha.

Do vasto património de Castelo Novo merece também destaque a Casa da Lagariça onde ao lado estão esculpidas na pedra duas pias que serviam para lagar de vinho no século VIII.

Castelo Novo pertence ao concelho do Fundão e é uma das 12 Aldeias Históricas de Portugal.

Agora os nomes que martelam o sono,
turvos ou roídos de poeira:
Póvoa, Castelo Novo, Alpedrinha,
Orca, Atalaia, nomes porosos
da sede, onde a semente do homem
é triste mesmo quando brilha
Eugénio de Andrade, Poesia, Terra de Minha Mãe

A recolha de imagens foi feita duas semanas antes do incêndio que lavrou na Serra da Gardunha e junto a Castelo Novo.

Quem manda é o povo! faz parte do podcast semanal da Antena1 Vou Ali e Já Venho e pode ouvir aqui.
A emissão deste episódio, Quem manda é o povo!, pode ouvir aqui.