A Croácia e a pérola do Adriático

A Croácia é um dos países mais atraentes do Adriático.
Lugares com história, paisagens interessantes e, ainda, sequelas da guerra civil.
Split e Dubrovnik são os portos de entrada.

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Já rumei à Croácia por duas vezes, com entrada por Split e por Dubrovnik.
A opção foi férias, descanso e relaxe. No entanto, as praias não encantam (muitas pedras) e o melhor foi a descoberta de duas regiões predominantemente turísticas.

A chegada a Split foi num barco de cruzeiros, proveniente da Grécia.

Split
Split

A primeira impressão, a partir do barco, é a de uma cidade encantadora.
Ao longe, com o horizonte das montanhas, sobressaía a torre da catedral.
É enorme e quando a visitámos percebemos que se concentra ali muita da história da cidade. Desde o mausoléu do imperador Diocletian até um altar com relíquias de um santo cristão.
Hoje a torre tem uma outra função: serve de guia a quem receia perder-se no labirinto das ruas e praças de Split.

Transbordo na marina de Split
Transbordo na marina de Split

O cais do porto de Split é grande, com muitas embarcações e a vida estava facilitada.
No nosso caso, a situação foi um pouco diferente, porque a marina estava repleta de barcos e tivemos de  chegar por transbordo.
Do cais havia transporte para o centro da cidade e o regresso podia ser feito, facilmente, num autocarro de transportes urbanos.
Com sol e temperatura amena, deu para circular de forma agradável na zona antiga.
Um passeio pela história com a presença de vestígios gregos, romanos, góticos, barrocos..
Está classificado como Património Mundial da Unesco.

Rua em Split
Rua em Split

Algumas ruas são sinuosas, estreitas e com casas construídas de pedra e barro. Parecem-se com alguns bairros históricos de Lisboa.
Em Split há numerosas praças e algumas delas estão associadas a uma actividade comercial. Muitas ruas cheias de comércio, turistas e locais.
Nos principais pontos turísticos havia vendedores ambulantes de artesanato variado, bebidas… Uma atmosfera colorida. Noutros casos, os músicos nas ruas ou no interior das muralhas conferiam especial encanto ao espaço, com os sons a serem reflectidos pelas pedras. Por vezes, com muita concentração de pessoas, o ambiente ficava saturado.

Palácio de Diocleciano
Palácio de Diocleciano

Um dos pontos turísticos obrigatório é o Palácio Diocleciano.
Tão obrigatório que estava quase sempre repleto. Pessoas a tirar fotos, grupos à procura de gente perdida, alguns sentados nas escadas, a descansar e a contemplar as ruínas.
O retiro do imperador transformou-se em poluição turística.

São bem visíveis as ruínas da residência do imperador romano e de toda a estrutura construída em redor das quatro entradas do palácio.

Uma dessas  entradas é através da Peristyle, hoje transformada numa praça com igrejas, áreas culturais e uma pausa para o café da manhã ou o lanche a meio da tarde.

Riva
Riva

Uma boa opção é comprar um gelado e saborear a frescura da brisa marítima na Riva,
uma avenida larga, pedestre, mesmo em frente à marina.
É uma zona de restaurantes e esplanadas e dá para relaxar. As palmeiras alinhadas ajudam a dar um ambiente natural e a sombra é bem-vinda em dias de verão.
Um pouco antes, no início desta rua, a alternativa foi um jardim com muitas sombras e lugar de espera do autocarro que nos levou de regresso ao cais.

Praça em Split
Praça em Split

Na parte interior da cidade, no lado oposto ao jardim, há uma praça grandiosa.
O acesso foi feito por um largo onde está a igreja de S. Francisco e o Bajamonti Dešković Palace, construído no séc. XIX e recentemente recuperado.

Também tinha esplanadas e restaurantes mas, o mais marcante, eram os edifícios vermelhos, todos recuperados. Mesmo ao lado havia um pequeno mercado. Aqui sim, vivia-se um ambiente mais local, menos turístico.

Uma outra zona do interior da cidade que é obrigatório visitar é a parte norte das muralhas. Por dois motivos. Por um lado, as muralhas estão mais bem conservadas. Por outro, tem de se fazer um desejo e tocar na estátua Gregory of Nin, do escultor croata Ivan Mestrovic, que se naturalizou norte-americano e é uma das referências mundiais na escultura religiosa.

estátua Gregory of Nin
Estátua Gregory of Nin

Aqui, em Split, tem muitos “adeptos” porque nenhum turista deixa de satisfazer a curiosidade e tocar na estátua ou posar para uma foto ao lado da enorme criatura.

Fora deste rodopio, lá no alto, todo verde, apenas cortado por uma muralha, está o parque Marjan.
Tem uma excelente vista sobre a cidade e a marina. Fantástico para quem procura fotos de pôr do sol.

Dubrovnik:


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Visitei Dubrovnik em 2013 e serviu de plataforma para outras viagens nesta região.
À Bósnia e ao Montenegro.  Após muitas horas de autocarro, Dubrovnik funcionou como porto acolhedor.

Dubrovnik
Dubrovnik

Aquela que é considerada a pérola do Adriático é um dos principais pontos turísticos da Croácia.
Tem uma beleza natural espantosa e nos passeios descobre-se a sua história milenar e a função comercial que desempenhou de modo primordial.

Não é muito grande e dá para percorrer a pé a zona antiga. Vários autocarros urbanos param na entrada principal da muralha.

Dubrovnik
Dubrovnik

Esta zona está preservada e parte foi reconstruída após os bombardeamentos da Sérvia e do Montenegro, a partir de 1991.

Passar a porta da muralha é entrar num mundo onde se funde a arquitectura medieval, renascentista e barroca com lojas de souvenirs para os milhares de turistas que visitam anualmente a cidade.
Esta área está classificada como Património Mundial pela Unesco.
Ruas estreitas, com pequenos portados. Umas mais sombrias, outras com o sol a refletir-se nas pedras do casario. Em muitas casas estendais de roupa, gente à janela e profusão de flores. Os pisos térreos são mais dedicados ao comércio e restauração.

Esplanada numa falésia
Esplanada numa falésia

Há restaurantes em todo o lado e até em lugares incríveis, como por exemplo na base da muralha e no sopé da falésia. Arrepia, visto de cima. Interessante quando se está sentado numa cadeira, no meio das rochas que se agigantam frente ao Adriático. Vozes, música e o rebentar das ondas são a expressão sonora do calafrio.

No cruzamento das ruas percebemos que já passámos por ali e escolhe-se virar à direita ou esquerda. Pequenas praças são surpresa no final de uma rua, como também alguns edifícios dedicados a funções culturais e informativas.

Nas praças maiores encontram-se os lugares de culto e os edifícios institucionais com maior relevo. Museus como, por exemplo, o palácio Rectors.
Na altura da nossa visita, tinha em exposição mobiliário, pintura e trabalhos de fotografia sobre a guerra civil após a desintegração da Jugoslávia. Um incidente singular: ver um turista partir uma garrafa e depois o vinho a escorrer e tingir de vermelho uma coluna de pedra da zona central e o chão do piso abaixo. Arte moderna, experimental…

forte de S. João ou Sveti Ivan
Forte de S. João ou Sveti Ivan

O museu fica muito próximo da marina e do forte de S. João ou Sveti Ivan, a entrada Este de Dubrovnik. É um dos postais ilustrados da cidade, com o porto e as fortalezas defensivas.
Lugar de passagem frequente para quem visita Dubrovnik e quer contactar a vida local, pessoas a viajar de barco, pescadores ou simplesmente saborear um gelado da gelataria que fica mesmo ao lado.

Marina - forte e entrada sul
Marina – forte e entrada sul

Do outro lado da fortaleza, meio arredondada, está um muro com bancos virados para o Adriático.
Bom para descansar mas, só com mar calmo. Quando a rebentação é mais forte há o risco de sermos envolvidos pela espuma que vagueia no ar.
O forte aloja o Museu Marítimo e o aquário.

Stradun
Stradun

Durante o dia as ruas principais estão apinhadas de gente. Em particular a Placa ou Stradun, uma rua pedonal e que é também das zonas mais comerciais da cidade.
À noite é mais sossegada e é possível jantar calmamente numa das esplanadas.
A cidade não tem grandes problemas de criminalidade, as recomendações são comuns a qualquer outra cidade europeia.

igreja de St Blaise
Igreja de St Blaise

Um dos roteiros imperdíveis é circular pelas muralhas. Apreciar a vista geral, com o casario a servir de horizonte.
As muralhas contornam quase toda a parte antiga e consegue-se ter uma percepção mais pormenorizada. Das praças, das igrejas que se destacam com as suas torres.
 Da forma como os locais abrem as janelas e varandas e contemplam a rotina, as crianças que jogam futebol num pequeno espaço entre casas e muralhas…

fonte Onófrio
Fonte Onófrio

O percurso pode começar e acabar na fonte Onofrio, próximo da entrada Oeste.
Do alto da muralha consegue-se ver a fonte numa perspectiva única.
Este percurso demora algum tempo. Com calma e várias paragens, o passeio dura cerca de duas horas.

Muralha
Muralha

Uma das possibilidades é fazer o percurso de modo a terminar ao final do dia.
A luz é espectacular. Para os fotógrafos, a luz dourada a reflectir-se nas pedras das casas e da muralha, nos telhados, nas torres das igrejas… constitui uma oportunidade excelente para boas fotos. Além do mais, há pouca gente.

forte Lovrijenac
Muralha e forte Lovrijenac

Um outro local recomendado para fotografar é o forte Lovrijenac.
A construção sobre um rochedo, com quase 40 metros de altura, é uma das principais fortificações que protegia o acesso à parte antiga de Dubrovnik.
Hoje aloja um museu e é um dos locais de visita, embora não seja muito fácil de descobrir o caminho. Eu próprio tentei lá chegar sem sucesso. Acabei por ir parar à Universidade, que fica um pouco acima.
De qualquer forma, não dei o tempo por perdido. A universidade tem também um excelente miradouro. O horizonte abrange quase toda a cidade antiga.

Vista da Universidade
Vista da Universidade

Por outro lado, a partir da universidade há caminhos que permitem descer até uma zona muito reservada. De tal modo, que tem uma praia natural, quase privativa.
O caminho é sinuoso, muito inclinado e na zona urbanizada junto ao mar, as ruas são estreitas.
As casas de pedra ficam quase coladas às rochas, que funcionam como protecção das vagas do mar.
É também interessante a visita ao museu etnográfico, Rupe Ethnographic Museum, para se conhecer a forma como os locais sobreviveram não apenas através da sua relação com o mar, mas também com a agricultura e a forma como conservavam os alimentos.

torre Minceta
Torre Minceta

Das janelas do museu, situado numa das colinas da cidade, temos uma vista espectacular do casario em direcção à torre Minceta.

Fora do roteiro urbano um must é a visita à península de Lapad.
O objetivo era descobrir uma praia mas o que o resultado superou a expetativa.

Praia de Lapad
Praia de Lapad

Não pela praia. De facto, não é nada de mais. Sem areia e com pedras, o habitual no Adriático. Por outro lado, o espaço não é muito grande e é muito frequentado.
O mais aliciante é o percurso a pé. Pela encosta e com vários bares e esplanadas nas escarpas.
Alguns veraneantes ficam deitados nas rochas a apanhar sol, outros entram em pequenas piscinas naturais, mas não deve ser muito confortável.

vista da esplanada
Vista da esplanada

Conforme vamos subindo a colina, descobrimos recantos, acessos a zonas residenciais e,  no alto, perto do Royal Princess Hotel, uma esplanada com vista para o mar, que disputou a nossa atenção com um gato bebé.
Bom lugar para beber um café, repousar e ver os barcos de cruzeiro a chegar ou a partir de Dubrovnik.

A ilha de Lokrum é outro lugar a visitar. Uma alternativa para quem procura praia ou um passeio num parque.
Trata-se de uma reserva natural, com 76 hectares e fica a menos de um quilómetro de Dubrovnik. Serviu de cenário para algumas das cenas da Guerra dos Tronos.
O acesso pode ser feito de barco, a partir do porto de Dubrovnik. A viagem custou 60 kunas e demorou 15 minutos.
Há várias viagens durante o dia mas atenção ao último regresso. A ilha não tem alojamento e quem não regressa fica desamparado.

piscina natural em Lokrum
Piscina natural em Lokrum

A ilha tem várias piscinas naturais, frequentadas por turistas e famílias locais (como também caranguejos, nas que estão junto ao mar).
Em algumas destas piscinas há estreitos e pequenas grutas. Uma das praias mais conhecidas é a Dead Sea.

siteG_lokrom_2368
Lokrum

Há vários roteiros pedestres e uma das referências é um prédio antigo que faz vizinhança com o jardim botânico.

 

InfÚteis:
Em Dubrovnik, por ser um destino muito procurado por turistas, a Placa ou Stradun é quase uma sociedade das nações. No entanto, uma refeição aqui tem um custo aceitável, nada de mais para o porta moedas de um viajante europeu.
Há restaurantes para várias bolsas. Muita comida local e italiana. Comida tradicional e fast food. Há ainda a possibilidade de comprar refeições em supermercados. Na entrada principal para a zona antiga, próximo da paragem de autocarros, há duas lojas de venda alimentar.

A maior dificuldade é no alojamento. Por vezes o standard médio está esgotado e as alternativas interessantes são difíceis de encontrar.
A primeira estada foi no Adria Apartments  próximo de Lapad. Bem equipado e não era caro. A família que explora o aluguer também era muito prestável. O problema é que fica numa colina, um pouco distante do porto e mais ainda da parte antiga da cidade.
No regresso da Bósnia estava quase tudo esgotado e decidimos ficar na zona do porto, porque no dia seguinte seguíamos viagem para Montenegro. A paragem dos autocarros fica muito próximo.
Optámos por uma hostel mas dormi vestido…
O edifício de três andares tinha uma varanda para um jardim interior, muito bonito, mas estava degradado. O acesso à internet era intermitente e tive de subir ao terceiro piso para pagar, porque não apareceu ninguém para cobrar a estada. A senhora era muito simpática. O homem sisudo, tinha uma perna amputada, talvez, na sequência da guerra civil.

Por do sol visto do Petka
Pôr do sol visto do Petka

O terceiro alojamento foi também na zona do porto, no hotel Petka.
Boa qualidade e uma vista soberba ao pôr do sol.
Os quartos têm uma varanda para a zona do porto e ao anoitecer temos um horizonte de luzes cintilantes. Do reflexo na água e das casas que sobem a outra colina.

O regresso ao aeroporto foi num autocarro. Demora cerca de uma hora mas faz-se bem. O aeroporto fica a cerca de 20 km da cidade. Na chegada, a viagem para Dubrovnik foi de táxi e não é muito caro.

Montanhas fazem parte da paisagem croata
Montanhas fazem parte da paisagem croata

Circular na Croácia é fácil. Há muitos autocarros para vários destinos e alguns deles de longo curso. Circular à beira mar é interessante. Um pouco para o interior já se torna mais surpreendente. Devido às montanhas, prepare-se para viagens com curvas sucessivas e paisagens deslumbrantes.

Galeria de fotos

 

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