As muralhas gigantes dos glaciares no Lago Argentino na Patagónia

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Milhares de jovens vão para a Patagónia fazer trekking e aventura. Outros preferem caminhar no Perito Moreno. Para os menos aventureiros o projecto favorito parece ser o da navegação no Lago Argentino para verem o Upsala, um dos maiores glaciares da América do Sul, e o Spegazzini que tem uma frente com mais de cem metros de altura..

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O Upsala é enorme. É o terceiro glaciar mais longo da América do Sul.

Upsala
Upsala

A designação deve-se ao levantamento feito na região pela universidade sueca com o mesmo nome. Agiganta-se pela montanha em linha ascendente.

Upsala
A frente do Upsala

Fica comprimido entre duas montanhas. É uma subida íngreme de gelo que junto à água parece estancar e ficar com o corpo inclinado para trás.
Quando o vimos não havia muitos fragmentos na água. O Upsala não tinha trovejado, o estrondo habitual quando desaba no Lago Argentino pedaços de gelo.

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Barco frente ao glaciar

A dimensão e o horizonte profundo não permite ter uma noção muito concreta da parte da frente. Quando se aproxima um barco percebemos então pela diferença de escala a verdadeira dimensão do bloco de gelo que está à nossa frente.

glaciar seco
Glaciar seco

O glaciar seco não tem acesso ao lago, fica travado no alto da montanha e deixa várias linhas brancas de água a escorrer pelas escarpas em direcção ao lago.
Na parte mais alta, onde escasseia a vegetação, é maior o contraste entre as cascatas e o as pedras negras da montanha.

Spegazzini
Spegazzini

O Spegazzini é espectacular. A zona de desprendimento é das mais altas dos vários glaciares na Patagónia, alguns picos chegam a atingir 130 metros de altura.

Contudo, a muralha de gelo parecia pequena porque o glaciar era uma autêntica escarpa em direcção a um pico rochoso, cujo cume não se via devido ao nevoeiro.
O glaciar não ultrapassa os dois quilómetros de largura.

Spegazzini
Spegazzini

O topo do glaciar apresentava-se muito irregular, com imensas saliências de gelo. Como se fosse um lençol de pregos brancos/azulados. Conforme a luz do sol, assim mudava a saliência das cores.
O glaciar deve o nome a Carlos Spegazzini um cientista e botânico de origem italiana que no séc. XIX estudou a flora na Patagónia.

Calafate é o ponto de partida para a visita aos glaciares do lado argentino da Patagónia.
A Solopatagónia é uma das empresas que faz o roteiro pelos glaciares. Chama-se Rios de Hielo Express, anda-se sempre de barco, não exige qualquer esforço e até dá para dormir.

caminho para Punta Bandera
Caminho para Punta Bandera

A sonolência justifica-se devido ao facto de as excursões começarem muito cedo.
A viagem de autocarro, 47 km até Punta Bandera, demorou cerca de meia hora e teve ainda uma paragem à entrada do Parque para se comprar o acesso, no valor de 260 pesos.

exterior no barco
Exterior no barco

O mais difícil foi sair para o exterior no barco. 

O vento estava muito forte e gelado.
Na visita ao Perito Moreno, diziam que estava muito frio e tivemos calor. A viagem de barco, que parecia muito confortável, foi num dos dias em tivemos mais frio.

Um dos barcos que faz a tarvessia do canal no Lago Argentino
Um dos barcos que faz a travessia do canal no Lago Argentino

O barco tinha capacidade para mais de 300 pessoas e estava quase lotado.
Muitos funcionários e fotógrafos davam apoio aos viajantes, cuja média de idade devia ser superior aos 50 anos.

De início a agitação foi grande, muitas fotografias e muita gente a circular mas depois acalmaram. 
A vista, devido ao vento, também não era nada de mais, além de que estava muito gente na proa.
Na popa era mais interessante, menos gente e a possibilidade de escolher perspectivas para fotos (além da protecção do vento).

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Condor

Deu para ver as formações rochosas na Boca del Diablo, a vegetação densa na parte interior dos Andes, um condor no seu território natural e muitas cataratas.

No interior da embarcação, a guia explicava o processo de formação dos glaciares, o efeito do anticiclone, a temperatura baixa e a condensação na parte mais alta dos Andes, mesmo que, ao nível do lago, pudesse estar uma temperatura ambiente de 15 graus.

A 300 km do Oceano Atlântico e a 150 km do Pacífico, o lago Argentino não tem ligação a um oceano.
Um documentário mostrava como o barco onde seguíamos foi construído em Buenos Aires e a odisseia para o transportar via terrestre até ao lago.

iceberg
Iceberg

Ao longo do canal encontravam-se vários icebergs que eram o negócio dos fotógrafos de serviço. O barco parava muito próximo e o iceberg servia de cenário para a fotografia.  Os melhores espaços do barco eram reservados para fotografar viajantes e futuros pagantes e aguardava-se longamente pelas poses mais triviais dos clientes.

Spegazzini
Spegazzini

As fotos foram depois exibidas em slideshow nos televisores da embarcação e foi motivo  de diversão, bem sonora, de um grupo de brasileiros.

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