Pare, Escute e Olhe. Vai passar o Rail Bike

Um passeio numa antiga linha de comboio entre Marvão e Castelo de Vide num “comboio” movido a pedais e onde se descobrem bonitas paisagens do Parque Natural da Serra de S. Mamede.

Estação de Marvão-Beirã
Estação de Marvão-Beirã

O passeio foi de 8km a partir da estação de Marvão-Beirã em direcção a Castelo de Vide e passámos por uma passagem de nível onde antes estaria o sinal “Pare, Escute e Olhe”.
O “comboio” Rail Bike cruzou por duas vezes a passagem de nível.


Com um intervalo de cerca de duas horas. Ida e volta. Sem locomotiva a vapor ou a diesel, nem eléctrica, nada de TGVs. É simples, a pedal.
São seis “carruagens” de dois lugares e a locomoção é feita pelos passageiros.
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Cada um pedala a seu gosto e de acordo com a sua condição física. O “comboio” não precisa de ir todo junto e cada par pode escolher o seu “apeadeiro”.
site_rail_ponte_paragem_hdrAs paragens podem ser feitas à sombra ou próximo de uma vista interessante para Marvão ou Castelo de Vide. A viagem permite-nos descobrir em especial o património ferroviário, a começar pela estação de Marvão-Beirã e também o Parque Natural da Serra de S. Mamede.
site_rail_DSCF0933As paisagens vão mudando ao longo do caminho. Nos espaços mais abertos a vista alcança Marvão e Castelo de Vide. Noutros locais apreciamos o verde dos campos que nesta altura está florido das giestas.
site_rail_partida_0547Susana Torgal e Lenny Macleode os promotores do projecto e que todos os dias fazem este percurso dizem que “ com sorte podemos ver javalis e raposas.” Lenny fica mais fascinado com as muitas espécies de aves. Há pássaros muito coloridos de pequeno porte, várias águias (como as raras Águias de Bonelli), abutres e muitas outras espécies de aves que fazem aqui ponto de paragem na migração entre a Europa e África.

Chafurdão no meio da serra
Chafurdão no meio da serra

No caminho descobrimos ainda os “chafurdões”, construções de pedra redondas muito antigas onde se guardavam os animais no meio do campo ou serviam de suporte para a agricultura.
O Rail Bike tem dois programas. Um de 15km e outro de 25 km (nos dois casos ida e volta). O mais extenso, segundo Lenny, também tem tido muita procura.
site_rail_ponte_0573As viagens são de manhã ou à tarde. A minha opção foi a do percurso que se realizou às 17h e é de facto uma excelente oportunidade para se descobrir muita da biodiversidade do Parque Natural da Serra de S. Mamede. O Ramal de Cáceres foi encerrado em 2012 e a linha férrea voltou a ser território quase selvagem.
site_rail_0562No programa de 15km já ficamos com uma perspectiva bem definida do património ferroviário e natural. O prazer da viagem sente-se mais no regresso. No sentido Marvão-Castelo de Vide temos duas subidas que exigem uma razoável forma física. Se o companheiro de viagem partilhar o esforço a viagem faz-se bem. Lenny diz que há quem finja pedalar e sobrecarrega o parceiro.
site_rail_bike_0575A bicicleta não é pesada. As rodas são de plástico. O atrito com os carris é que evita maior velocidade.
A inversão do percurso é junto a uma ponte quase centenária. Mudam-se as bicicletas e, de certa forma, também se altera o estado de espírito. No regresso percebe-se facilmente pela reação dos companheiros de viagem que estamos todos mais distendidos.
site_rail_ponte_0567Parte do percurso é a descer, o por do sol acentua outros sinais de beleza natural e o prazer de alguma velocidade é exteriorizado com vozes e gritos mais efusivos.
A chegada Beirã é também muito bonita. Passagem de nível, casas de antigos ferroviários e, por fim, a bonita estação de Beirã, toda decorada de azulejos.
site_rail_estacao_0544São da autoria de Jorge Colaço que tem azulejos notáveis em muitos lugares de Portugal como por exemplo, o Palace do Luso, o Pavilhão Carlos Lopes em Lisboa e a estação ferroviária de S. Bento no Porto.
Em Marvão-Beirã retratam monumentos, paisagens e lugares descontraídos como praias. São “postais ilustrados” para impressionar os visitantes estrangeiros. Marvão-Beira era a primeira estação portuguesa na ligação proveniente de Madrid por Cáceres.
site_rail_estacao_0577O troço ferroviário é do séc. XIX como também a estação de Marvão-Beirã. No entanto, os azulejos e o edifício com este volume e arquitectura resultaram de uma profunda remodelação realizada em 1926. Há quase um século. Além dos azulejos ainda conseguimos ver o relógio de dupla face e a indicação onde ficavam as salas do chefe da estação e da alfandega.
site_guesthouse_0609Por ser uma estação de fronteira a paragem era por vezes muito demorada. Na remodelação de 1926 construíram ao lado um restaurante e instalações para pernoita. Com o encerramento da linha ferroviária este edifício voltou a ter as mesmas funções. É uma guesthouse.
site_guesthouse_0527A Train Spot preserva muita da decoração interior original e ao acordar abrimos a janela para o tanque de água, vestígios da época do comboio a vapor. O átrio mantém os azulejos originais e a porta da bilheteira.
site_rail_ponte_0569Pare, Escute e Olhe. Vai passar o Rail Bike faz parte do programa da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

O Vou Ali e Já Venho tem o apoio:Af_Identidade_CMYK_AssoMutualistaAssinaturaBranco_Baixo