Sydney – fomos à Ópera

A Sydney Opera House é muito bonita.
A arquitetura é fantástica, o lugar onde foi construída permite uma visão apaixonada da cidade e do mar. E as pessoas podem passear à sua volta, contemplar, tocar, descobrir perspectivas ou, simplesmente, ir à Ópera, uma das mais conceituadas salas de espetáculo do mundo.

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A construção da Sydney Opera House foi uma longa peripécia  mas o resultado é fantástico.

Os custos, as derrapagens, o olhar para o imediato… tudo pode servir de atenuante mas, transfiro para mim próprio, a amargura que deve ter sentido Jørn Utzon, o arquitecto dinamarquês, que criou uma obra inesquecível, a qual nunca chegou a ver directamente.

Jørn Utzon deixou o projecto em 1966, devido a problemas financeiros colocados pelo governo australiano.  Regressou à Dinamarca e recusou ir à inauguração em 1973.
Três décadas depois, já reconciliado com a Fundação da Ópera de Sydney, recebeu um Pritzker Prize.

Sydney Opera House
Sydney Opera House

O perfil nórdico do arquitecto, sente-se nos materiais utilizados e na simplicidade das estruturas decorativas.
O génio vai dos pequenos detalhes até ao conjunto, onde sobressaiem, as conchas, as formas esféricas brancas que constituiram um quebra-cabeças para os engenheiros.

Sydney Opera House
Sydney Opera House

Cercada pelo Pacífico, a Ópera tem vista para a ponte.
Do outro lado, o enorme jardim botânico, faz contraponto com as torres que servem de muralha ao cais, de onde partem os ferries.
À noite a vista é igualmente espetacular. A luz reflete-se na água. A Ópera fica mais discreta, simples, com um ligeiro reflexo na água, ligeiramente ofuscado pela luz mais intensa dos ferries.
Sempre muita gente. Muitos turistas, muitas GoPro e muitas selfies.
Vários restaurantes e bares aumentam a frequência com o surgir da noite.

Sydney - pedestrian area
Sydney – passeio pedestre

Quase todas as tardes, o deck na zona pedestre estava cheio de jovens executivas.

Estava agendado para dali a pouco tempo um concerto num dos espaços da Ópera. Começou a chegar muita gente. A maior parte eram pessoas de idade.
Partilhei o jantar com algumas delas, numa mesa, do bistro Mozart.
Muitos conhecem-se e trocavam cumprimentos e apartes. Eles tinham um ar mais descontraído. Elas, nesta noite, rejuvenesceram uns anos.

Fiz uma visita guiada à Ópera.
Tinha grande expectativa, mas o resultado não correspondeu. Custou 34 AuD, demorou cerca de uma hora e o mais interessante foi a história do edifício, que podemos igualmente consultar na Wikipedia.
Nada de mais.

Sydney Opera House - inside
Sydney Opera House – interior

O percurso não revelou elementos novos, sensações particulares.
Não deram acesso a espaços reservados, camarotes ou outros lugares de maior interesse. Apenas um passeio por três corredores e entrada em três salas de espetáculo, de forma muito reservada, porque decorriam trabalhos de montagem.
Nada de fotos, nada de sair da linha, descobrir materiais, perspetivas…
No final, fiquei com uma sensação desagradável, de alguma frustração, face à expectativa de descoberta da história, dos protagonistas, da engenharia, do esforço dos trabalhadores… não ficou nada.

Para compensar, aproveitei o anoitecer com fotografias do ambiente e da baía.
Centenas de pessoas vagueiam por aqui. Umas vão beber um copo, outras jantar, e muitas outras contemplar a Ópera.
Como o edifício é muito grande e contorna a baía, dá para andar, andar e não sentir o desconforto inicial do barulho e concentração de pessoas.
O olhar para o edifício cativa a atenção, porque, consoante a caminhada, muda a perspectiva, as cores, a descoberta do interior.

View from the Opera
Vista da Ópera

O olhar para o outro lado, para a baía, é igualmente um exercício sedutor.
Ferries vão e vêm, a ponte reflete-se na água e na Circular Quay, os edifícios altos decoram a vista com imensas e variadas luzes.

A partir daqui, do cais da Circular Quay, podemos fazer um percurso interessante (e barato) que nos dá uma perspectiva diferente da cidade e em particular da Ópera.
É uma viagem num dos ferries que partem de Circular Quay. Há muitos destinos e opções.
A minha prioridade era fotografar a baía, a Ópera e a ponte ao anoitecer.

s_sydney_neutral_bay
Neutral Bay

Perguntei, no ponto de venda do cais, por um percurso ao lado da Ópera. A senhora sugeriu Neutral Bay.
O bilhete ida e volta custou 12 AuD e a distância é de cerca de 1,5 km a norte de Sydney.
Parti às 18:25h, o tom da luz era mais suave e as sombras ofereciam mais relevo. A perspectiva também era muito diferente. Cidade com rio ou mar tem de ser fotografada a partir da água.
 O barco atracou em vários cais e chegou a Neutral Bay 15 minutos depois.
Fiquei apenas na zona do cais.
A vista a partir daqui é interessante.
Neutral Bay, nesta zona, tem algumas construções junto ao mar, uma marina com cais privativos e uma vista ampla para Sydney e para outras ilhas e istmos. O local corresponde ao nome: Neutral, porque aqui ancoravam os barcos estrangeiros na época colonial.
Decidi regressar um pouco mais tarde. Na embarcação seguinte. Fizemos paragens rápidas no Kurraba Point e Kirribilli.

Sydney Opera House
Sydney Opera House

De novo fotografias à ponte, à Ópera, à baía, aos ferries, ao rendilhado de luzes na zona urbana, aos reflexos na água… vai ser difícil a escolha e demorada, muito demorada a edição das fotos.
A perspetiva foca-se na ponte e na Ópera, planos abertos. Depois, quando nos aproximamos, o barco passa relativamente próximo da Ópera e temos uma visão em detalhe, matizada pela luz artificial.

sydney_noite
Sydney

No fim da viagem, tudo muda. A perspetiva, as cores, a luz, o relevo.
O fundo escuro, o branco sujo e a iluminação suave projetam a ideia de que a Ópera é uma concha que vai abrir.

Ver:
Sydney é um postal ilustrado
O charme de Melbourne
Um café expresso em Fremantle

O affaire com Perth
Austrália – InfÚtil

Galeria de Fotos

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