Até os elefantes gostavam das Portas de Ródão

Duas paredes escarpadas, cada uma com cerca de 170 metros de altura, funcionam como portas e estreitam a passagem do rio.
A montante fica um lago que guarda marcas da nossa civilização e até vestígios dos últimos elefantes europeus.

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Duas paredes escarpadas, cada uma com cerca de 170 metros de altura, funcionam como portas e estreitam a passagem do rio.
A montante fica um lago que guarda marcas da nossa civilização e até vestígios dos últimos elefantes europeus.
A largura do estreito é de 45 metros e no passado era ainda mais estreita e alta e provocava uma imensa queda de água.

A profundidade após a passagem das Portas de Ródão sugere que a queda da água teria uma força impressionante.
O processo de erosão já leva mais de dois milhões de anos e a relação do rio com as montanhas já foi muito mais imponente.

Ainda hoje impressiona e são contadas muitas histórias sobre a travessia de barco.

Até quem viaja de comboio, e passa mesmo ao lado das escarpas, também se extasia com a beleza do lugar que está classificado como Monumento Natural Portas de Ródão.

Linha do comboio da Beira Baixa junto a uma das escarpas
Linha do comboio da Beira Baixa junto a uma das escarpas

Esta é uma das viagens de comboio mais interessantes, do ponto de vista paisagístico, em Portugal.

Pode-se também alugar um barco, por exemplo, no cais de Vila Velha de Ródão e fazer o passeio ao longo dos  quatro quilómetros do rio Tejo que estão integrados no Geomonumento.

 Voo de um grifo
Voo de um grifo

Muito provavelmente no passeio, poder-se-á ver o voo de grifos, que têm aqui a maior colónia existente em Portugal.


Esta zona foi a eleita por muitas espécies e até foram encontrados vestígios ósseos dos últimos exemplares do Elefante-europeu antes da sua extinção durante a última glaciação. Os exemplares que andariam nesta zona do Tejo já seriam raros no continente europeu há cerca de 30 mil anos.

Estação Arqueológica da Foz do Enxarrique
Estação Arqueológica da Foz do Enxarrique

Os vestígios foram encontrados na Estação Arqueológica da Foz do Enxarrique, na confluência da ribeira com o mesmo nome e o Rio Tejo.
Encontraram-se também artefactos em pedra lascada, que terão cerca de 30 mil anos.
A alguns quilómetros de distância, junto à Ribeira de Vilas Ruivas, foram descobertas as mais antigas estruturas habitacionais até hoje conhecidas em Portugal e terão sido construídas há quase 50 mil anos.
Uma outra particularidade da Estação Arqueológica da Foz do Enxarrique é a descoberta de uma lareira e três objetos em chumbo, indicando que aqui terá sido feito um acampamento militar romano.

A Estação Arqueológica da Foz do Enxarrique está ao lado do cais de Vila Velha de Ródão, a estrutura está preparada para receber visitantes e funciona como um museu ao ar livre. Um local com muito interesse e também um miradouro sobre o Tejo.

Ponte rodoviária de Vila Velha de Ródão
Ponte rodoviária de Vila Velha de Ródão

Há várias rotas até às Portas. Quem preferir seguir de carro, após a Estação Arqueológica pode fazer uma paragem junto à ponte rodoviária.
É igualmente um excelente miradouro.

Castelo do Rei Vamba
Outra possibilidade é subir ao alto da serra das Talhadas e ver o rio do miradouro de aves, ao lado do Castelo do Rei Vamba.
Esta região começa a ser procurada por muitos estrangeiros, que vêm aqui deslumbrar-se com o património paisagístico e cultural deste lugar.

Alguns também aproveitam para pescar, ao lado da estação arqueológica e ver o pôr do sol e o reflexo das escarpas no leito do rio Tejo.

O Monumento Natural Portas de Ródão está integrado no Geopark Naturtejo e envolve territórios dos concelhos de Vila Velha de Ródão e Nisa.
Aqui pode encontrar informação detalhada sobre o geomonumento.

Até os elefantes gostavam de Portas de Ródão faz parte do podcast semanal da Antena1 Vou Ali e Já Venho e pode ouvir aqui.
A emissão deste episódio, té os elefantes gostavam de Portas de Ródão, pode ouvir aqui.

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