Mármore: o roteiro vertiginosamente belo do ouro branco do Alentejo

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As pedreiras de mármore arrepiam. Olhar para o fundo onde homens e máquinas trabalham, com corte a direito a mais de uma centena de metros de profundidade provoca um deslumbramento vertiginoso

Pedreira em Borba
Pedreira em Borba

Há roteiros como visitas guiadas a algumas pedreiras dos concelhos de Alandroal, Borba, Castelo de Vide, Estremoz e Sousel onde podemos presenciar o engenho humano que transformou esta região num dos maiores produtores mundiais de mármore.
O aproveitamento do mármore é feito há vários séculos. Em Vila Viçosa há vestígios desde a época romana.

Torre em mármore
Torre de Estremoz em mármore

O mármore branco foi utilizado na construção de edifícios civis e religiosos e também em monumentos. São exemplos o Templo de Diana em Évora e a torre de Estremoz com os seus 27 metros de altura. Em Vila Viçosa a enorme fachada do Paço Ducal também é em mármore. Em muitas ruas das duas localidades a calçada é em mármore.
A nível internacional o mais deslumbrante é o Taj Mahal.

Homenagem aos trabalhadores do mármore em Borba
Homenagem aos trabalhadores do mármore em Borba

A indústria de extração e transformação sofreu um revês com as guerras no Médio Oriente onde alguns países eram dos maiores importadores. Apesar destas dificuldades, muitas pedreiras continuam em atividade e constituem uma importante fonte de receitas e emprego na exploração e transformação.
Durante séculos esta indústria introduziu também uma paisagem completamente diferente nesta zona do Alentejo.

Vista das pedreiras em Estremoz
Vista das pedreiras em Estremoz

Há gruas e montes enormes com inúmeros pedaços de mármore e resíduos meio do campo e até nas proximidades de povoações como é o caso de Estremoz.

Da extração realizada apenas 15 a 20 por cento é aproveitada para a decoração e construção civil. No entanto, na opinião e Luís Nascimento, geólogo e vereador da Câmara de Vila Viçosa, os amontoados nas escombreiras têm pedaços de grande dimensão e os intervalos são aproveitados para refúgio de animais como coelhos, lebres, raposas e repteis.

Escombreira junta à estrada
Escombreira junta à estrada

As escombreiras que têm um impacto ambiental negativo acabam por outro lado por desempenhar um papel importante na salvaguarda da biodiversidade.

A extração é feita em profundidade ou em subterrâneo. Os blocos que são cortados nos poços rondam as 25 toneladas.

As máquinas parecem miniaturas
As máquinas parecem miniaturas

Quando estamos dentro das pedreiras percebe-se melhor como são extraídos os blocos de mármore. Esta perceção é mais visível nas pedreiras a céu aberto e que já têm alguns anos. Algumas têm mais de uma centena de metros de profundidade.
No fundo há água das chuvas e máquinas que parecem miniaturas. As paredes têm partes praticamente lisas com os sinais do corte que são feitos em função dos veios do mármore.

Pedreira em Borba
Pedreira em Borba

Os trabalhadores que descem no elevador sabem ler estes sinais e a qualidade do mármore. Não é tarefa fácil, exige muita atenção e no Verão as temperatura são muito altas.
As pedreiras são também frequentadas por aves. São imensas e fazem longos voos no interior. Aproveitam o trabalho humano para criarem ninhos nos buracos das paredes.

Há visitas guiadas às pedreiras e a oficinas de transformação que podem ser feitas em meio dia e algumas têm um programa para dois dias.

 Museu do Mármore em Vila Viçosa
Museu do Mármore em Vila Viçosa

Uma outra forma de se perceber melhor a industria do mármore é visitar o Museu do Mármore em Vila Viçosa que está junto a uma antiga pedreira.
O ambiente e os instrumentos que estão no local ajudam a reconstituir a forma como é feita a extração do mármore.

Instrumentos e máquinas junto à pedreira no Museu
Instrumentos e máquinas junto à pedreira no Museu

No interior do edifício há uma vasta coleção de objetos que documentam as várias fases do processo, desde a extração à peça acabada.
Os visitantes ficam a conhecer ainda vários os vários materiais geológicos, a história da indústria, os processos de extração, de transformação e o produto final de toda esta cadeia. A área mais recente é dedicada a escultores da região que usam o mármore como matéria prima.
O museu está na Pedreira da Gardinha próximo da saída para Borba e pode ver aqui os horários.
Mármore: o roteiro vertiginosamente belo do ouro branco do Alentejo faz parte do podcast semanal da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e pode ouvir aqui.
A emissão deste episódio, Mármore: o roteiro vertiginosamente belo do ouro branco do Alentejo , pode ouvir aqui.

O Vou Ali e Já Venho tem o apoio:
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