Capote alentejano – um dos ícones do Alentejo

O uso do capote está de novo na moda. Ultrapassa identidades regionai, ganhou urbanidade e passagem por ruas de capitais europeias. Até o Papa já tem um. É todo branco e foi-lhe oferecido este ano pelo presidente da Câmara de Monforte.


O capote deixou o exclusivo dos montes alentejanos adquiriu também novo estatuto social. Muitos compradores são da classe média/alta.
site_capotes_4156O capote abriga do frio mas é também uma peça usada nas cidades com funções de ostentação”. Por exemplo, adianta Rosária Grilo da fábrica Confecções IMA, uma das alterações que  realizaram foi acentuar o “toque de elegância retirando a roda excessiva.”
site_capotes_4146A antiga proteção do frio usada pelos pastores está também a ser reinventada com cores mais vivas e que visam seduzir em particular as mulheres.
No entanto, em Santa Eulália, no concelho de Elvas, são mais fiéis à tradição.
site_capotes_4160Rosária Grilo refere que recorrem a materiais e técnicas de produção ancestrais. “Praticamente capotes alentejanos genuínos só encontra aqui porque continuamos a trabalhar com o burel original e só com golas naturais. Não fazemos nada sintético.
site_capotes_oficina_rosaria_4194Também as cores. Se reparar não encontra aqui vermelhos, azuis, cores de água… porque são estas as cores originais do capote e da samarra.” As cores mais tradicionais são verde escuro, castanho, preto e antracite.

Piso onde se faz a confecção dos capotes e samarras
Piso onde se faz a confecção dos capotes e samarras

Rosária Grilo partilha a gestão da IMA com o proprietário, o alfaiate José Alpedrinha que produz todas as peças. “É ele que as desenha e corta.

Samarras
Samarras

Foi o pai, Isidro M. Alpedrinha, que iniciou a produção dos capotes alentejanos em Santa Eulália e José Alpedrinha mantém o nome da confeção que corresponde às iniciais do nome do pai.”

A fábrica fica próximo da igreja de Santa Eulália que tem um relógio de sol
A fábrica fica próximo da igreja de Santa Eulália que tem um relógio de sol

É no primeiro piso que funciona a fábrica. A matéria prima principal, o burel, vem da zona Centro e a tesoura tem de estar muito afiada para o corte certeiro a partir de moldes de papel que estão pendurados numa divisória.

Os moldes em papel
Os moldes em papel

No espaço visitável, na loja, têm habitualmente em exposição um número significativo de capotes e samarras. Podemos ver exemplares em vários tamanhos como também ilustrações de alguns famosos vestidos com o capote.

Rosária Grilo na fábrica
Rosária Grilo na fábrica

Capote alentejano – um dos ícones do Alentejo faz parte do programa da Antena1, Vou Ali e Já Venho, e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

O Vou Ali e Já Venho tem o apoio:Af_Identidade_CMYK_AssoMutualistaAssinaturaBranco_Baixo