Visita guiada ao espetacular miradouro do Pilar7 da Ponte 25 de Abril

É um pilar de emoções. Mesmo antes de chegarmos ao tabuleiro da Ponte 25 de Abril, no interior de uma plataforma suspensa de vidro.
Todo o percurso nos remete para sensações que, em muitos casos, correspondem às previstas pelo arquiteto António Borges quando concebeu o projeto de arquitetura.

Quando chegamos à base do pilar 7 percebemos melhor o volume e a dimensão de um dos lugares chave da ponte. Onde amarram os cabos que ajudam a dar suporte ao tabuleiro. O interior do pilar é também uma viagem pelo saber, engenho e tenacidade humana. Um percurso que aposta no domínio sensorial, das profundezas da terra ao topo do tabuleiro.

Diz o arquiteto António Borges que “as pessoas vão ver um espaço que não é um museu, não é um centro interpretativo, uma exposição. Vão sim, experimentar sensações diferentes.” Este foi o conceito orientador do projeto de visitação. “Reportando ao local, a ideia é que exista uma narrativa no percurso até culminar no topo do miradouro e que o visitante experimente sensações diferentes.

O edifício de receção é propositadamente baixo para que as pessoas tenham a sensação de grandeza de toda a estrutura.
A passagem entre os dois maciços do próprio pilar, a entrada para o interior em que escurecemos imenso a construção para que as pessoas tenham igualmente a sensação de grandeza.
A sala de espelhos e a saída onde temos uma vista única da cidade de Lisboa, por cima das Docas.

Acabam por ser vistas, sensações e experiências que nós, no objetivo do projeto de arquitetura, visamos exatamente enfatizar.”
Para além do domínio sensorial a visita é complementada com informação sobre a construção da ponte.

Um dos elementos determinantes na construção é o Pilar7. “É essencial para o funcionamento da ponte. Para que tenha resistência e capacidade estrutural e para resistir a qualquer adversidade. Conta-se a história de que o interior do Pilar7 é dos sítios mais seguros de Lisboa no caso de um terramoto.”

Por outro lado, no local onde está inserido, há um forte impacto sobre a monumentalidade. “As construções que estão à volta do pilar acabam por ser quase esmagadas pela presença física e urbana daquele volume. O que tentei fazer foi transmitir isso. A monumentalidade, a presença no território, mas que também se tornasse amigável para que as pessoas pudessem visitar.

Há lugares que não são nada amigáveis, como é o caso da passagem entre os dois maciços. É um espaço com muito vento e apertado. O intuito de marcar o percurso por ali foi exatamente isso, uma sensação de esmagamento. Ali as pessoas sentem-se muito pequenas. Quando chegam ao alto estão a dominar o espaço, a construção.”

Um dos lugares mais deslumbrantes, pela força, robustez e engenho que revela, é a sala de amarração dos cabos. “É belíssima. Entrar na sala é fantástico. Os pontos de luz acabam por estar escondidos entre a amarração. Conseguimos afinar a iluminação de modo a que se enfatizasse aquele cenário muito bonito. Como uma peça tão funcional pode esteticamente ter uma presença tão interessante!”

Outra sala que causa impacto é a dos espelhos a que acedemos no interior do pilar através de um elevador, “para que quem está a subir tenha a sensação que está a vir das profundezas do rio e vamos depois ter a perceção de grandeza da ponte. O objetivo é as pessoas experimentarem sensações diferentes.
Na sala o teto é espelhado, preto para lhe dar profundidade. Aquela sala tem 35 metros de altura e com os espelhos ainda enfatizamos mais a altura. Há pessoas que têm mais medo da sala de espelhos do que lá em cima no miradouro com o piso de vidro.”

Para chegarmos à plataforma de vidro suspensa ao lado do tabuleiro da ponte recorremos a outro elevador. Até atingirmos os 70 metros de altura, o 26º piso do elevador.
No percurso acompanhamos a estrutura da ponte, vemos a zona ribeirinha, o tabuleiro do caminho de ferro e depois o rodoviário.
Suspensos no cubículo de vidro, temos muito para olhar, menos para os pés se receia a vertigem. “No chão há 4 vidros, cada um com dez milímetros. Há uma escala de dureza dos vidros e naquele caso duplica a resistência de um vidro anti bala. As laterias são dois vidros e de 20 milímetros cada um. É o mais resistente possível e permite a sensação de estar num espaço urbano.”

No miradouro temos uma vista magnifica. Os monumentos ao longo de Belém, o estuário do rio e o casario a subir a encosta até ao alto de Monsanto. António Borges diz que “quando levo as pessoas ao miradouro gosto de lhes mostrar o outro lado.

Normalmente as pessoas chegam lá e contemplam uma vista única da ponte, a Torre de Belém o Restelo… mas na vista para o outro lado conseguimos ver as coberturas do Terreiro do Paço, o Palácio das Necessidades, uma vista completamente diferente e muito interessante. Parece uma visão de um drone feita a partir do meio da cidade.”

É fascinante contemplar a paisagem, a rotina dos carros ou a serenidade do Tejo. O único senão é o barulho persistente da passagem dos carros.
“É muito agressivo, mas também jogamos com isso. Há um objetivo subjacente que é evitar que as pessoas fiquem a contemplar a vista, por exemplo, durante uma hora. Faz parte das sensações, tal como o comboio. Estar no pilar quando o comboio passa sente-se uma vibração, quase uma sensação sísmica porque todo o pilar vibra com a passagem do comboio.”

Eu tive a sorte de ver a aproximação do comboio quando seguia no elevador e a sensação é inesquecível.

O miradouro e a estrutura de visitação no interior do Piar7 abriu ao público em 2017 e a ideia surgiu quatro anos antes, em 2013, quando a então Estradas de Portugal realizava trabalhos de conservação.

antonio borges
António Borges (à esquerda), numa visita ao Pilar7

“O projeto nasceu dentro da empresa com o intuito de comemorar os 50 anos da inauguração da ponte. Houve um atraso na concretização da obra, mas o objetivo principal era esse. Era um grupo de trabalho de quatro pessoas. No final fiquei eu e o Eng. Costa Nunes, a pessoa que dirigia o projeto na sua conceção geral. Eu era mais na questão técnica da arquitetura e na conceção das unidades de apoio.”
A gestão e exploração dos equipamentos de visitação é do Turismo de Lisboa.

Visita guiada ao espetacular miradouro do Pilar7 da Ponte 25 de Abril faz parte do programa da Antena1 Vou Ali e Já Venho e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.